Ações do IRB devem despencar quase 50%, diz UBS – e a queda já começou


André Jankavski, do CNN Brasil Business, em São Paulo
06 de outubro de 2020 às 17:44 | Atualizado 06 de outubro de 2020 às 17:50
IRB

Estande da IRB em evento: empresa tem um dos piores desempenhos do Ibovespa em 2020

Foto: Reprodução/Instagram

Quando as coisas pareciam estar caminhando bem para o ressegurador IRB (IRBR3), o banco suíço UBS decidiu jogar uma ducha de água fria. Bem gelada, aliás. De acordo com relatório assinado pelos analistas Mariana Taddeo e Kaio Prato, a empresa deve demorar a voltar aos tempos de lucratividade. E, depois dos papéis já terem caído 80% em 2020, ainda há espaço para mergulhar ainda mais.

O preço-alvo sugerido pelo banco, agora, é de R$ 4,60. No pregão da segunda-feira (5), as ações da empresa fecharam em R$ 8,65. Isso equivale a uma desvalorização de quase 47%.

E a queda já recomeçou. O relatório fez com que as ações desabassem 17% no pregão desta terça-feira (6).

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De acordo com o relatório, a IRB deve demorar para recuperar a lucratividade a níveis similares aos vistos em concorrentes globais. No segundo trimestre, o IRB registrou um prejuízo de R$ 685,1 milhões.

Um dos motivos que causou a reversão do lucro apresentado no mesmo período do ano passado (de R$ 397,5 milhões), foi a reestruturação forçada que a empresa precisou fazer em 2020 – especialmente por causa de inconsistências financeiras no balanço da empresa.

Mesmo assim, a reestruturação não deve ser o suficiente para a empresa entregar um ROE (retorno sobre patrimônio líquido) de 20%, que é algo que os investidores estão precificando.

Resumidamente, o ROE é um indicador que mede a capacidade de uma empresa tem para gerar valor para o negócio e para os investidores. Quanto maior, melhor.

Segundo o UBS, o ROE será negativo em 18,5% em 2020, tendo uma recuperação de 4% em 2021 para chegar em 12,3% somente em quatro anos. Em 2019, a empresa reportou um ROE de 32,3%.

Para completar, a sinistralidade da empresa deve chegar a 95% neste ano – e somente em 2024 deve ter patamares ficar menos do que 70%. A média dos últimos seis anos foi de 62%.

Os problemas contábeis da empresa ganharam luz em fevereiro deste ano, quando a gestora Squadra Investimento avaliou que havia discrepâncias nos balanços da empresa, especialmente entre o lucro contábil e lucro normalizado.

Depois, para completar, a Berkshire Hathaway, do mega bilionário e guru Warren Buffett, afirmou que não tinha ações da empresa – algo que havia sido muito propagado no mercado financeiro.

Porém, com uma nova gestão, as ações da empresa ensaiavam uma recuperação. Em setembro, o IRB teve o sétimo papel que mais subiu dentro do Ibovespa, cerca de 5%. Pelo visto, vai demorar mais para que essa retomada aconteça.

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