Renda Cidadã ficou para depois das eleições, admite relator da proposta

Márcio Bittar acredita na aprovação do texto ainda neste ano, apesar do curto espaço de tempo

Basília Rodrigues
Por Basília Rodrigues, CNN  
08 de outubro de 2020 às 21:32 | Atualizado 09 de outubro de 2020 às 07:27

O relator do Renda Cidadã, Márcio Bittar, deixou a apresentação da proposta para depois das eleições, que serão realizadas em novembro. Ele, no entanto, acredita na aprovação do texto ainda neste ano, apesar do curto espaço de tempo. 

"Estou fazendo tudo o que posso em nome do presidente Jair Bolsonaro, em nome do Congresso Nacional, para chegar a uma proposta. Qualquer que seja ela, vai incomodar porque para arrumar recurso para essas pessoas vai ter que tirar de algum lugar. E do lugar que for tirar, tem alguém que estará incomodado", reconheceu nesta quinta-feira o nível do problema.

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O senador Márcio Bittar (MDB-AC)
Foto: CNN (25.ago.2020)

Desde o surgimento da ideia, o benefício já passou por mais de cinco fontes de financiamento diferentes, de congelamento de aposentadorias a uso de recursos de dívidas do governo. Nenhuma alternativa foi consenso.

As declarações de Bittar resumem o que tirou de entendimento com o governo e o parlamento, após reuniões com Bolsonaro, Rodrigo Maia e Paulo Guedes. "Se apresentar (a proposta) sozinho, não passa, não aprova. E, nesse momento de eleição, a eleição não é um bom conselheiro. Muitos deputados, senadores, estão muito envolvidos com isso. Então, é melhor passar esse momento para que a gente sente à mesa de novo, todos que precisam responder à essa questão, e cheguemos a um consenso. É melhor esperar mais um pouco mas poder trazer todos aqueles que são fundamentais para que isso seja aprovado. Fazendo assim, eu penso que estou dando uma contribuição para que antes de acabar o ano criemos o programa", disse.

A aprovação do Renda Cidadã depende da aprovação de uma proposta de emenda à Constituição (PEC), o que exige quórum qualificado e em dois turnos. "Há 8 milhões de brasileiros que, a partir de janeiro, se a gente não criar o Renda Brasil (sic), não terão do que se alimentar. Durmam tranquilos no dia 31 de dezembro, que o Estado não vai virar as costas."