Nuvemshop recebe R$ 170 mi e segue passos do Mercado Livre – mas do seu jeito

Startup argentina aposta no crescimento no Brasil e no México, mas em vez de criar marketplaces, como o Mercado Livre, quer investir na personalização para PMEs

André Jankavski, do CNN Brasil Business, em São Paulo
13 de outubro de 2020 às 20:25
Um consumidor de e-commerce: Nuvemshop vai transacionar US$ 1 bilhão em vendas em 2020
Foto: rupixen.com/Unsplash

Uma empresa argentina de soluções para o varejo eletrônico e que boa parte do faturamento vem do Brasil acaba de receber um aporte de US$ 30 milhões (ou R$ 170 milhões) em sua rodada série C. O objetivo é expandir a operação no país e também na América Latina.

Não se trata do Mercado Livre, apesar das semelhanças, mas da Nuvemshop, startup argentina, que pretende seguir outros caminhos da conterrâneo, mas de um jeito um pouco diferente.

A companhia, que é uma plataforma de e-commerce voltada para os pequenos e médios negócios, recebeu o montante dos fundos Qualcomm Ventures e Kaszek Ventures (o mesmo que investiu no Nubank, entre outras empresas).

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O investimento ainda teve a participação de outros fundos como FJ Labs, IGNIA, Elevar Equity e de Kevin Efrusy, sócio da Accel Partners, mas que está investindo pessoalmente na plataforma.

O último aporte que a empresa recebeu foi em 2017, quando os fundos Elevar, Kaszek e Ignia colocaram R$ 24 milhões na operação.

A empresa, agora, quer ir além de construir lojas virtuais para as PMEs. A ideia é ser uma solução completa. Por isso, segundo o argentino Santiago Sosa, CEO e cofundador da Nuvemshop, boa parte desse dinheiro será direcionado para duas novas vertentes: serviços financeiros, como conta digital e empréstimos, e melhora da logística. Alguma semelhança, de novo, com o Mercado Livre?

"Existem muitas companhias em que temos uma forte inspiração, como o Mercado Livre, e temos coisas que são parecidas. Mas o marketplace em geral, coloca o consumidor como centro. Nós colocamos o lojista", diz Sosa.

Segundo o executivo, o atual modelo de marketplaces, que diversas grandes varejistas como o Magazine Luiza (MGLU3), B2W (BTOW3), Via Varejo (VVAR3) e o próprio Mercado Livre estão seguindo, pressiona ainda mais o pequeno e médio varejista. Afinal, cada vez mais, uma entrega rápida é demandada pelo setor. Se o produto estiver com desconto, melhor ainda.  

“Não é que sejamos contra o marketplace, mas o lojista por lá se sente ‘comoditizado’ e ele quer um canal em que ele tenha mais controle e a essência da marca”, diz Sosa.

A ideia é levar a personalização das lojas físicas para o online. Enquanto as grandes marcas colocam todos os vendedores em um lugar só, a Nuvemshop acredita que o lojista, assim como o cliente, tem necessidades individuais e que um site personalizado pode ajudar a solucioná-las. E também, claro, em que ele pague percentuais menores nas vendas realizadas pelas plataformas. 

Desta maneira que a empresa cresceu de 80% a 90% nos últimos anos. Na pandemia, no entanto, a alta chegou a ser de 300%. Desta maneira, a Nuvemshop pretende alcançar US$ 1 bilhão em transações em 2020.

Metas

Com o aporte, a meta futura da empresa ficou mais ambiciosa. Daqui a cinco anos, a companhia pretende transacionar US$ 10 bilhões. O número de lojistas, nesse mesmo período, deve saltar dos atuais 65 mil para 500 mil, segundo Sosa.

Para isso, precisará crescer também o tamanho da equipe.

Atualmente com 300 colaboradores no continente, Sosa enxerga espaço para a empresa ter 1 mil funcionários nos próximos dois a três anos – e o dinheiro do aporte ajudará nisso. O crescimento, aliás, virá especialmente do Brasil, mas também do México, outro país que a companhia enxerga um bom espaço de crescimento.

O fundador da companhia enxerga que seja possível alcançar todos esses números com o foco nas PMEs. Por isso, no curto e médio prazo, os menores varejistas terão a maior atenção. Mas e os grandes? Há espaço para a Nuvemshop entrar nesse mercado e concorrer com companhias como a Vtex, que recentemente se tornou um unicórnio ao receber um aporte de R$ 1,25 bilhão?

De acordo com Sosa, sim. “Antigamente, essa tecnologia estava na mão somente das grandes e a Nuvemshop tem ficado cada vez mais robusta, o que pode fazer com que cada vez mais grandes marcas confiem na gente.” É tudo o que os investidores desta rodada desejam. 

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