Comércio bilateral entre Brasil e EUA registra o pior resultado desde 2009

Exportações do Brasil para os EUA caem 31,5%, quatro vezes mais do que as exportações do Brasil para todos os demais destinos, segundo Amcham

Do CNN Brasil Business, em São Paulo
14 de outubro de 2020 às 13:05
Três fatores explicam a forte redução: os graves efeitos da crise econômica, a queda do preço internacional do petróleo e restrições comerciais em setores específicos, como o siderúrgico
Foto: Reuters/Amanda Perobelli

O comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos registrou o pior resultado dos últimos 11 anos. De acordo com estudo Monitor de Comércio Brasil-Estados Unidos realizado pela Amcham, o valor das trocas comerciais de janeiro a setembro de 2020 foi de US$ 33,4 bilhões, uma redução de 25,1% em relação ao mesmo período de 2019. 

“A contração de um quarto do comércio entre Brasil e Estados Unidos é um golpe duro no comércio bilateral, sendo o pior resultado para o período desde a crise econômica de 2009”, afirma o vice-presidente executivo, Abrão Neto, em nota.

O relatório aponta três fatores principais para explicar a forte redução: os graves efeitos da crise econômica, a queda do preço internacional do petróleo e restrições comerciais em setores específicos, como o siderúrgico.

No acumulado do ano, as exportações brasileiras para os EUA caíram 31,5% em comparação com igual intervalo de 2019, alcançando o total de US$ 15,2 bilhões. Essa queda é quatro vezes mais do que as exportações do Brasil para todos os destinos, de 7,7%.

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Trata-se do menor valor para o período desde 2010. Em termos relativos, os EUA foram o mais afetado entre os 10 principais destinos de exportação do Brasil em 2020. 

“Foram US$ 7 bilhões a menos em exportações. Como o perfil do comércio bilateral é composto principalmente por produtos de maior valor agregado, a atual crise econômica atingiu em cheio nossas exportações para os Estados Unidos. A taxa de queda foi quatro vezes maior do que a redução das exportações totais do Brasil para o mundo”, explica Abrão. 

Por outro lado, as importações brasileiras vindas dos Estados Unidos despencaram neste terceiro trimestre, com redução de 41,6% em relação a 2019. Entre janeiro e setembro de 2020, as importações totalizaram US$ 18,3 bilhões, uma queda de 18,8%. 

Como resultado do encolhimento das exportações e importações, a tendência é que o Brasil registre o maior déficit comercial com os Estados Unidos dos últimos cinco ou seis anos, aponta o documento. Até o momento, o saldo negativo foi de US$ 3,1 bilhões em desfavor do País. 

Apesar da forte redução do comércio bilateral, os EUA seguem como o segundo principal parceiro comercial do Brasil (12,3% do total de suas trocas com o mundo). A China se mantém em 1º lugar, tendo aumentado sua fatia para 28,8%, segundo dados do estudo.

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