Ibovespa fecha em queda influenciado por mau humor externo; dólar sobe a R$ 5,62

Aversão a risco diminuiu depois que ministro da Economia, Paulo Guedes, disse à CNN que pode desistir da ideia de criar um novo imposto com base digital

Do CNN Brasil Business, em São Paulo*
15 de outubro de 2020 às 09:15 | Atualizado 15 de outubro de 2020 às 17:19
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Mulher usando máscara protetora lê o jornal em rua deserta de Paris, França
Foto: Christian Hartmann/Reuters (18.mar.2020)

A notícia de que o Banco Central Europeu está pronto para usar o seu arsenal financeiro para conter estragos econômicos em caso de uma segunda onda de casos de Covid-19 na Europa dissipou, em parte, os receios dos investidores. O presidente dos EUA, Donald Trump, também disse que está disposto a aumentar o valor de um pacote de alívio da Covid-19. 

Com isso, o Ibovespa, que chegou a ter forte queda no início do pregão, fechou o dia em queda de 0,28% para 99.054,06 pontos. 

O dólar, por sua vez, reduziu a alta que era de 0,82% para fechar o dia com valorização de 0,36% ante o real, a R$ 5,623 na venda.

O movimento aconteceu por causa da fala de Christine Lagarde, presidente do BCE, nesta quinta-feira (15). "As várias armas que temos disponíveis, desde taxas de juros, passando por forward guidance até recompra de títulos, [...] estamos prontos", afirmou, durante um painel do Fundo Monetário Internacional.

A melhora nos mercados também tem a ver com as declarações do ministro da Economia de que, eventualmente, pode desistir da ideia de criar um novo imposto com base digital.

À CNN, Paulo Guedes ainda frisou que a proposta de reforma tributária do governo, que já teve a primeira parte enviada ao Congresso, não contempla aumento de imposto.

Mas não é a apenas a série de novos casos na Europa que está no radar dos investidores. A paralisação das negociações de um pacote de estímulo nos Estados Unidos também preocupa os mercados, assim como as questões fiscais e econômicas brasileiras.

Nsta quinta, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que funciona como uma espécie de prévia do Produto Interno Bruto (PIB), frustrou as expectativas dos analistas com a alta de 1,06% ante a projeção de 1,60%.

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"Hoje não tem muito segredo: o real acompanha as principais moedas", diz Daniel Herrera, analista da Toro Investimentos. "Parece prevalecer um clima mais negativo, principalmente na Europa, com os casos de Covid subindo muito rápido."

Entre as maiores altas estão as ações da JBS (JBSS3), que chegaram a disparar 13,93%, mas fecharam o pregão com alta de 4,75%. O motivo é que, na quarta-feira, a holding controladora do frigorífico, J&F, acertou acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos em que se declarou culpada de violar legislação norte-americana contra corrupção e pagará cerca de US$ 128 milhões às autoridades do país. Ontem, os papéis subiram mais de 9%.

Já entre as maiores baixas, destaque para PetroRio (PRIO3) com a queda nos preços do petróleo. Os papéis caíram 5,6% no pregão de hoje. 

Mercados no exterior

Em Wall Street, um aumento não esperado nos pedidos semanais de auxílio-desemprego pressionava os negócios e fortalecia preocupações sobre a recuperação daquela economia, em um contexto de menor esperança de estímulos fiscais no curto prazo.

O índice Dow Jones caiu 0,07%, o S&P 500 recuou 0,15% e o Nasdaq teve desvalorização de 0,72%.

Na China, as ações terminaram o dia em queda, apagando ganhos anteriores depois que dados mostrando os preços nas portas das fábricas em queda e uma inflação ao consumidor fraca em setembro ressaltaram os desafios persistentes que a economia enfrenta à medida que se recupera da pandemia de Covid-19.

O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 0,17%, enquanto o índice de Xangai teve queda de 0,26%.

Já as ações europeias caíram para uma mínima em quase duas semanas, com o ressurgimento de casos de Covid-19 em todo o continente e esperanças cada vez menores de mais estímulo fiscal nos Estados Unidos antes da eleição presidencial prejudicando a demanda por ações em todo o mundo.

"Com a perspectiva de um plano de estímulo iminente nos EUA diminuindo a cada dia (e) o aumento das taxas de infecção levando a restrições mais rígidas em toda a Europa, é de se admirar que os investidores estejam começando a ficar um pouco inquietos?" disse Michael Hewson, analista de mercado da CMC Markets.

*(Com Reuters)

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