Guedes defende teto de gastos e volta a falar em queda de 4% no PIB de 2020

Guedes também voltou a falar que a retomada econômica do Brasil já está acontecendo de forma acelerado, em formato de "V"

Anna Russi, do CNN Brasil Business, em Brasília
19 de outubro de 2020 às 12:34 | Atualizado 19 de outubro de 2020 às 20:19
 

O ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a falar que vê uma queda ainda menor do Produto Interno Bruto (PIB) do que o esperado pela maior parte das previsões. Ele destacou que, como ele imaginou que aconteceria, diversas instituições está revisando suas projeções, como a do FMI, que melhorou de 9,1% para 5,8%.

"Acreditamos que será bem menor, achamos que vai cair 4%", completou em participação na Cúpula da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, nesta segunda-feira (19).

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Guedes também voltou a falar que a retomada econômica do Brasil já está acontecendo de forma acelerado, em formato de "V".

A estimativa do ministro para o desempenho da atividade econômica é mais otimista que as projeções do mercado financeiro e de organismos internacionais, bem como ante a projeção oficial do próprio ministério da Economia. 

Enquanto o mercado financeiro e o Banco Central esperam que a economia caia 5% este ano, a equipe econômica do governo prevê queda de 4,7%. Já o Banco Mundial, espera contração de 5,4%. 

O ministro ainda lembrou que no momento em que a pandemia atingiu o país, a economia brasileira estava começando a crescer enquanto diversas economias do mundo desaceleravam. "Somos resilientes, estaremos de volta e mais forte. Continuaremos desinvestindo, vamos acelerar as privatizações e vamos reduzir, ainda no primeiro ano, o endividamento público. Também reduziremos as despesas e o déficit primário que saltou para 12% do PIB" 

Para ele, os desinvestimentos em estatais poderão ser usados para financiar o endividamento público que saltou em meio aos gastos no combate aos impactos da Covid-19. 

Luta pelo Teto de Gastos 

Segundo Guedes, enquanto for necessário, o governo vai lutar pela manutenção do Teto de Gastos. Ele ainda comentou que recebe "fogo amigo" em relação a esse assunto, já que outros ministros prefeririam expandir os orçamentos de suas pastas. 

"Tem uma inclinação grande da curva de juros no momento por conta de sinais internos que confundem o mercado", observou. 

Ele reforçou, por outro lado, que a equipe econômica tem total apoio do presidente Bolsonaro. 

Na avaliação do ministro, não há motivos para que as despesas emergenciais deste ano se tornem permanentes. "As medidas para conter a pandemia não podem ser desculpa para gastarmos mais", defendeu. 

Ele ainda comentou que a proposta do pacto federativo vai incluir medidas que impedem o crescimento do chamado piso de gastos, como a desindexação. A expectativa do ministro é de que o texto seja votado no Congresso ainda este ano. 

"As reformas devem ser analisadas e votadas pelo Congresso após eleições municipais. Precisamos acelerar e diversificar programa de privatizações. Do primeiro ao último dia do governo, estaremos promovendo reformas", afirmou. 

"Prontos para cooperação"

Guedes também voltou a defender a política do governo no que diz respeito à preservação da Amazônia e ao meio ambiente. "Só quem não conhece o Brasil é que acha que os militares não iriam querer preservar a floresta", comentou. 

Sobre as críticas internacionais relacionadas a esse tema, o ministro pediu ajuda por meio de investimentos e cooperação. "Nos ajude a preservar o meio ambiente. Nós, brasileiros, entendemos que temos um papel muito importante na preservação ambiental. Estamos prontos para cooperação, para investimentos e precisando de ajuda", completou.

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