Empresa cria alternativa ao plástico para ajudar o meio ambiente

Material criado californiana Newlight Technologies é feito de microorganismos encontrados no oceano que se alimentam de gases do efeito estufa

Rishi Iyengar , do CNN Business
20 de outubro de 2020 às 18:50

Foto: Brian Yurasits/Unsplash

A sustentabilidade passou rapidamente de algo bom para algo imperativo em empresas em todo o mundo e em todos os setores. Marcas globais, incluindo Amazon, McDonald's, Ikea e General Motors anunciaram planos ambiciosos para eliminar plásticos descartáveis, reduzir as emissões de carbono e, assim, reduzir sua pegada ambiental de várias maneiras.

A Newlight Technologies espera acelerar esse processo com um material biodegradável que pode ser moldado como plástico.

Com sede na Califórnia, a empresa passou mais de uma década desenvolvendo um material que chama de AirCarbon, que afirma funcionar exatamente como o plástico, mas é totalmente biodegradável.

A Newlight desenvolveu o material usando microorganismos encontrados no oceano que se alimentam de metano e dióxido de carbono, dois gases de efeito estufa que estão entre os maiores contribuintes para as mudanças climáticas. Os organismos transformam esses gases em um polímero natural que pode ser moldado exatamente como o plástico.

“Nós o chamamos de AirCarbon porque ele é ar e carbono dissolvidos na água”, contou o CEO Mark Herrema a Rachel Crane, da CNN. “Temos esse pó branco puro que podemos derreter e com ele formar todos os tipos de partes e peças”.

A nova unidade de produção da empresa em Huntington Beach está repleta de grandes tanques de água salgada que recriam as condições do oceano, permitindo aos organismos replicar o processo de fabricação do polímero do qual o AirCarbon pode ser extraído.

Comida e moda

Recentemente, a Newlight lançou seu primeiro conjunto de produtos feitos com o material, trabalhando com duas marcas de varejo ligadas a duas das indústrias mais poluentes do mundo. Sua marca de alimentos, Restore, vende canudos e talheres biodegradáveis, enquanto a marca de moda Covalent tem bolsas, carteiras e óculos de sol.

Como o processo de desenvolvimento do AirCarbon usa gases da atmosfera, os produtos são negativos para carbono, o que significa que retiram mais poluentes do que usam. A Newlight recebeu certificações de carbono negativo para seus produtos de certificadoras independentes, incluindo a certificação britânica Carbon Trust e a SCS Global Services.

Também foi reconhecida por inovações ecologicamente corretas por reguladores dos EUA, como a EPA (Agência de Proteção Ambiental) (EPA) e a FDA (agência responsável por alimentos e medicamentos).

A Newlight também está tentando permitir que os clientes saibam exatamente quanto carbono o produto que acabaram de comprar está eliminando. Para isso, a empresa fez parceria com a IBM para usar sua tecnologia blockchain para rastrear cada etapa do processo de fabricação e sua pegada de carbono.

“A maioria das pessoas quer fazer algo de bom, certo? O problema tem sido a falta de informação”, afirmou. “Quando você sai para comprar uma camiseta, não sabe que foram usados 700 litros de água só para fazer aquela peça. Se você souber que uma camiseta usa 700 litros de água e outra sete litros, isso pode impactar sua tomada de decisão. Portanto, queremos fazer a mesma coisa no lado do carbono”.

Ampliação

O maior desafio da Newlight provavelmente será aumentar a produção com rapidez suficiente para manter os preços baixos. A oferta atual de produtos varia de um conjunto de talheres por US$ 6,99 a uma bolsa de mão por US$ 520, um pouco mais caro do que alguns equivalentes tradicionais atualmente disponíveis no mercado.

A empresa tem apenas uma unidade, que fabrica produtos AirCarbon suficientes para remover o equivalente a quase meio milhão de toneladas de dióxido de carbono por ano – o que, diz Herrema, é aproximadamente equivalente a retirar 6.000 carros das estradas. Mas seu objetivo é construir mais instalações o mais rápido possível e, eventualmente, aumentar esse número para nove milhões de toneladas, que ele diz ser a quantidade de plástico que acaba no oceano a cada ano.

“Para ter um impacto massivo no meio ambiente, é preciso se concentrar no desempenho, no preço e na escalabilidade. Caso contrário, é só uma boa ideia, e isso não é bom o suficiente”.

As marcas de varejo são apenas uma pequena parte da estratégia da Newlight. A substituição de praticamente todo o plástico do mundo fará com que as empresas multinacionais que o utilizam assinem. O CEO contou que a empresa está em negociações para fazer parceria com outras marcas.

“O que ouvimos das marcas é: 'Opa, se há uma solução, queremos adotá-la!', porque elas querem se livrar dos plásticos tanto quanto qualquer outra pessoa”, acrescentou.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês)