Fábrica da Tesla na China pode ter papel ainda maior nas ambições da empresa

Montadora de carros elétricos deve começar a exportar veículos fabricados na unidade chinesa para a Europa

Michelle Toh, do CNN Business, em Hong Kong
21 de outubro de 2020 às 19:42
Model 3, um dos carros mais populares da Tesla
Foto: Divulgação

A Tesla começou a fabricar carros na China há cerca de um ano para reforçar sua presença no maior mercado automotivo do mundo. Agora, o país está prestes a se tornar uma parte ainda mais importante de sua estratégia global.

Em breve, a montadora de carros elétricos começará a exportar veículos fabricados na China para a Europa, segundo informou a agência de notícias estatal chinesa Xinhua, na segunda-feira (19).

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Já na próxima semana, a empresa quer começar a enviar os sedãs Model 3 de Xangai para a Alemanha, Itália e Suíça, entre outros destinos, de acordo com a Xinhua.

A Tesla não respondeu ao pedido de comentários da CNN Business. Mas Song Gang, diretor de fábrica e operações da Gigafactory da Tesla em Xangai, chamou esse movimento de “um passo importante no layout global da Tesla”, como a Xinhua reportou. “Exportar para a Europa significa que a qualidade dos sedãs Model 3 fabricados na China foi reconhecida pelo mercado europeu”, disse.

A mudança da Tesla pode ser temporária, já que a empresa está construindo outra fábrica na Europa. No ano passado, a montadora anunciou planos para uma nova Gigafactory em Berlim, que deve ser concluída em algum momento de 2021.

Um 'modelo para o crescimento futuro'

A Tesla não é a única montadora estrangeira a contar com fábricas chinesas para ajudar a aumentar as vendas mundiais. Outros players, como a BMW (BMWYY), também têm planos de construir e enviar veículos fabricados na China para a Europa, observou Tu Le, fundador da empresa de consultoria Sino Auto Insights, com sede em Pequim.

Elon Musk, CEO da Tesla, já chamou a Gigafactory de Xangai, que começou a produzir carros há cerca de um ano, de um “modelo para o crescimento futuro”.

A empresa disse aos acionistas que as instalações chinesas eram cerca de 65% mais baratas de se construir do que a fábrica para produção do Model 3 nos Estados Unidos. E é muito mais em conta fabricar um Model 3 na China do que nos EUA, disse Sofya Bakhta, analista de estratégia de marketing da Daxue Consulting, uma empresa de pesquisa chinesa.

“Em comparação com a versão norte-americana, o custo de produção do Tesla Model 3 chinês caiu de 20% a 28%”, estimou.

Os custos de mão-de-obra são consideravelmente menores na China do que nos Estados Unidos, observou Le.

Para Daniel Ives, analista da Wedbush Securities, as operações contínuas da Tesla na China continuam sendo “o eixo para [sua] produção e distribuição”.

“A Tesla está usando isso como vantagem estratégica para buscar outras regiões e bolsões da Europa”, disse ele. 

Em uma nota divulgada de domingo (18), a Wedbush previu que o “grande sucesso (da Gigafactory) na China” ajudaria a oferecer ganhos maiores do que o esperado nesta semana. 

Enquanto isso, a previsão é que o mercado automotivo chinês se torne ainda mais importante nos próximos anos. “Em última análise, enxergamos a China respondendo por mais de 40% das vendas mundiais da empresa até possivelmente o início de 2022”, escreveram analistas da Wedbush.

Também foi impressionante a rapidez com que a fábrica de Xangai se estabeleceu. A empresa superou seu próprio prazo para começar a fabricar carros por lá, iniciando a produção experimental apenas 10 meses após o início da construção. Isso aumentou a confiança de que a empresa tinha a capacidade de atingir metas de entrega à medida que crescia.

A Tesla também foi a primeira montadora estrangeira a abrir uma fábrica no país sem um parceiro chinês, pressionando os players locais. Mais tarde, a empresa obteve um incentivo fiscal para alguns de seus carros, o que ajudou a tornar os preços mais atraentes para os clientes.

“O fato da Gigafactory de Xangai não ter problemas significativos realmente permite que Elon Musk mantenha o pé no acelerador”, disse Le, que acrescentou que, como a construção da fábrica aconteceu “de forma rápida e perfeita”, há mais pressão para que outras cidades acomodem os planos de expansão da Tesla.

Mas a decisão de exportar seus carros fabricados na China também sinaliza uma mudança na intenção original da empresa, de usar a fábrica para abastecimento local, de acordo com Le.

Essa decisão pode sugerir que há aumento da demanda na Europa, ou “menos demanda na China”, disse ele.

A Tesla tornou-se a maior vendedora de carros elétricos na China, de acordo com Le. A empresa reduziu os preços do Model 3 diversas vezes, incluindo uma para se qualificar para subsídios governamentais.

Mas, “se 100% do volume pudesse ser consumido pelo mercado interno, tenho certeza de que eles venderiam na China”, disse Le.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).

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