Os planos do Mercado Livre para ter a maior Black Friday de sua história


Leonardo Guimarães, do CNN Brasil Business, em São Paulo
22 de outubro de 2020 às 05:00 | Atualizado 22 de outubro de 2020 às 15:08
Mercado Livre

Frota do Mercado Envios, unidade de logística do Mercado Livre

Foto: Divulgação/Mercado Livre

O Mercado Livre se prepara para o que deve ser – de longe – a maior Black Friday de sua história. E não foi preciso esperar um ano para superar os números do ano passado. Desde o início das medidas de isolamento social, as vendas semanais da varejista já superam os números da semana da Black Friday de 2019. 

Agora, uma das maiores empresas da América Latina espera que o volume de vendas na semana do próximo dia 27 de novembro seja maior que o dobro do volume observado no ano passado. E, para os que duvidam do feito: desde março, a semana média do Mercado Livre é 74% superior à média semanal de vendas do ano passado. 

Leia também:
Mercado Livre diz que não quer ser banco, mas é – e pretende ser a maior fintech
Mercado Livre recebe R$ 400 milhões do Goldman para ampliar oferta de crédito
Amazon teve maior Prime Day de todos os tempos, mas preferiu ser discreta

Fica difícil chamar a estimativa de otimista, já que os números do setor também dão respaldo à projeção. As vendas do varejo alcançaram patamar recorde em agosto, último mês analisado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O setor registra o maior nível de vendas desde 2000, ficando 2,6% acima do recorde registrado em outubro de 2014. 

Além disso, o crescimento da participação do e-commerce no segmento também anima a varejista. Em julho, as vendas pela internet representaram 10,7% de todas as transações do comércio brasileiro. E, diante do isolamento social, comércio online teve um empurrãozinho a mais, crescendo 47%, segundo levantamento da Ebit/Nielsen. 

“Dado o contexto positivo, que tem o volume de vendas muito forte, decidimos ir com tudo para esta Black Friday”, afirma Fernando Yunes, vice-presidente sênior do Mercado Livre no Brasil. 

Na Black Friday de 2019, o marketplace da varejista argentina recebeu 32,8 milhões de visitas. Em 2020, o recorde já foi ultrapassado: atualmente, o ML recebe 41 milhões de visitas em um dia. 

Agora, o foco em uma das principais datas do varejo é total. E o apetite do consumidor pode ajudar nesse processo. Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto IPSOS,  58% dos brasileiros afirmam que planejam comprar na Black Friday – e um terço desses consumidores vai evitar lojas físicas.

O “ir com tudo” do Mercado Livre envolve, principalmente, investimento em logística e disponibilização de crédito para os comerciantes da plataforma. 

Entrega em 48 horas

Com o boom do e-commerce no primeiro semestre, os varejistas correm para chegar primeiro à casa do consumidor. No mês passado, a Amazon anunciou a abertura de seu quinto e maior centro de distribuição do Brasil. 

Outro concorrente de peso do Mercado Livre, o Magazine Luiza, também investe para acelerar a entrega. No último balanço trimestral, o Magalu disse ter convertido 700 de suas 1.100 lojas em centros de distribuição, o que permitiu a entrega de 35% dos pedidos em até 24 horas. 

No Mercado Livre, 75% dos produtos que já estão nos centros de distribuição são entregues em até 48 horas. E, para manter o padrão e até elevar o nível de serviço, a varejista começou, a partir do último fim de semana, a realizar entregas também aos sábados e domingos. Os produtos que já estão nos centros de distribuição serão entregues no mesmo dia. 

Na última Black Friday, o interesse pela modo Full, onde o Mercado Livre é responsável por todo o processso logístico do vendedor do marketplace, cresceu 114% na comparação com as outras semanas. Ou seja, o consumidor não quer só comprar barato. Ele quer barato e rápido. 

Em 2020, o Mercado Livre tem um orçamento de R$ 4 bilhões para investir em sua operação brasileira. Grande parte desse dinheiro será investido na malha logística, garante a empresa. No ano passado, a verba era de R$ 3 bilhões. Yunes conta que a liderança da empresa começou recentemente o planejamento para 2021, mas garante que o investimento em logística será ainda maior. 

Apoio aos vendedores

Entre março e maio, período de maior restrição ao comércio físico em todo o Brasil, mais de 70 mil empresas aderiram ao marketplace do Mercado Livre. Segundo Yunes, a varejista ajudou na formalização de outras 35 mil empresas. 

Agora, o Mercado Livre se preocupa com a qualidade do serviço dessas empresas e com o estoque dos parceiros. Por isso, disponibilizou R$ 600 milhões em crédito para turbinar o capital de giro dos vendedores. 

Tudo isso para que a varejista argentina mantenha sua liderança na oferta de produtos. Atualmente, são 250 milhões de produtos disponíveis no marketplace. 

“Muitas vezes entram empresas que têm o sortimento que outro vendedor já tem, mas é comum a entrada de parceiros que têm portfólios complementares, assim vamos aumentando a oferta de produtos na nossa plataforma”, explica Yunes. 

Ele ainda conta que sua empresa está fazendo o dever de casa na educação desses vendedores, oferecendo webinários diários até o dia da Black Friday sobre logística, pós-venda e estratégias para aumentar as vendas. 

No último balanço, do segundo trimestre, o Mercado Livre informou que tem 11 milhões de vendedores em sua plataforma em toda a América Latina. 

Agora, resta esperar para ver se a projeção da companhia irá se concretizar – e falta pouco para a corrida Black Friday.

Clique aqui para acessar a página do CNN Business no Facebook