Raia Drogasil mostra que tem remédio para a crise – as ações podem disparar?

BTG e BB Investimentos acreditam que as ações ainda tem um longo caminho de alta, apesar de já terem subido bem em 2020; Bradesco está mais pessimista

André Jankavski, do CNN Brasil Business, em São Paulo
28 de outubro de 2020 às 14:31 | Atualizado 28 de outubro de 2020 às 14:33
Fachada da Raia Drogasil: empresa apresentou alta no lucro e também nas vendas, além de ter crescido no digital
Foto: Divulgação

A Raia Drogasil (RADL3), a maior rede de farmácias do Brasil, parece que voltou ao normal. Mais do que isso, tem conseguido superar com folga os números do ano passado. E se as ações já vinham com altas robustas em um período tão complicado na bolsa (17% no ano e 22,3% nos últimos 12 meses), os ganhos devem aumentar ainda mais.

Essa é opinião, por exemplo, da analista Georgia Jorge, do BB Investimentos. Segundo relatório assinado por ela, a alta de 12,8% nas vendas veio 5,4% superior às suas expectativas. Além disso, a empresa acelerou as suas vendas pela internet, que atingiram 7,2% do total. 

Para completar, a companhia afirmou que vai ser mais uma a entrar no marketplace, o que significará também uma estreia no segmento de serviços de saúde – o que pode representar uma importante fonte de receita. A ideia é oferecer serviços como exames e serviços como telemedicina.

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Por isso, o BB reviu o preço alvo de R$ 22,20 para R$ 31,40. A ação da Raia Drogasil fechou a terça-feira em R$ 26,15, mas mesmo com os resultados positivos despenca na bolsa por causa da instabilidade dos mercados. Às 14h15, por exemplo, caía quase 7%.

Mas outro banco que recomenda a compra das ações é o BTG Pactual também chama a atenção para a expansão da companhia, mesmo durante a pandemia. Se no início do ano a ideia era inaugurar 230 unidades, a estimativa passou para 240. Além disso, outro ponto importante foi a resiliência do digital pós quarentenas mais rígidas.

O resultado de 7,2% ficou apenas 0,4 pontos percentuais abaixo do segundo trimestre, que teve um boom de pedidos já que as pessoas estavam em casa. No ano passado, esse percentual era de apenas 2,5%.

“E 74% das vendas digitais foram interligadas com as lojas (através do modelo de omnychannel)”, escreveram os analistas Luiz Guanais e Gabriel Savi, do BTG Pactual. Omnychannel é o conceito de interligar todos os canais de venda, melhorando assim a eficiência e, claro, as margens.

Há espaço para pessimismo?

O Bradesco BBI, no entanto, não está tão otimista. Segundo os analistas Fred Mendes, Gustavo Tiseo e Lucca Brendim acreditam que os próximos meses serão mais desafiadores. O motivo? O hábito dos consumidores.

Segundo o relatório, as pessoas deixarão de comprar em farmácias localizadas em shoppings e em vias movimentadas, onde a RD tem muitas unidades, para voltar a consumir em unidades de bairro. Ajuda o fato de concorrentes estarem capitalizadas, como a Pague Menos (PGMN3), Panvel (PNVL3) e D1000 (DMVF3), que fizeram IPOs recentemente.

Por isso, o Bradesco colocou a recomendação da ação como neutra, enxerga a ação em R$ 23,40 ao fim de 2020, uma queda de 10% em relação ao relatório. O mercado, por enquanto, está seguindo o caminho do pessimismo.

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