Dólar fecha em alta após fala de Guedes; Ibovespa volta aos 102 mil pontos

Os mercados internacionais deixaram a empolgação dos últimos dias de lado e voltaram a se preocupar com o problema em mãos: uma segunda onda do novo coronavírus

Leonardo Guimarães e Matheus Prado, do CNN Brasil Business, em São Paulo
12 de novembro de 2020 às 09:23 | Atualizado 12 de novembro de 2020 às 22:30
Paulo Guedes: o ministro da Economia admitiu a possibilidade de extensão do Auxílio Emergencial
Foto: CNN (02.out.2020)

Os mercados internacionais deixaram a empolgação dos últimos dias de lado e voltaram a se preocupar com o problema em mãos: uma segunda onda do novo coronavírus que avança na Europa e nos Estados Unidos.

No cenário interno, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o governo certamente estenderá o Auxílio Emergencial se os casos de Covid-19 crescerem muito no Brasil

Com isso, o dólar fechou em firme alta contra o real nesta quinta-feira, revertendo queda expressiva de mais cedo, conforme investidores reagiram à piora de sinal nos mercados externos e a receios de continuidade de gastos relacionados à pandemia no Brasil em 2021.

O dólar à vista subiu 1,15%, a R$ 5,4792 na venda, perto das máximas da sessão, depois de pela manhã cair 1,18%, para R$ 5,3529.

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O temor com a saúde fiscal brasileira deve continuar a impactar o câmbio nos próximos meses. 

Enquanto isso, o Ibovespa fechou queda de mais de 2% nesta quinta-feira, devolvendo boa parte dos ganhos da semana, em meio a movimentos de realização de lucros endossados por ajuste negativo em Wall Street, com agentes financeiros também repercutindo uma bateria de resultados corporativos.

O índice de referência do mercado acionário brasileirocaiu 2,2%, a 102.507,01 pontos,

Entre as empresas que apresentaram resultado positivo nesta quarta-feira, a Taesa (TAEE11) teve o melhor desempenho e subiu 3,5%. 

A Via Varejo (VVAR3), que reportou lucro líquido de R$ 590 milhões no terceiro trimestre, acompanhou o ritmo do Ibovespa e caiu 5,6%. 

As ações da JBS (JBSS3), que surpreendeu e lucrou R$ 3 bilhões no 3º tri, caíram 0,09%. 

Além dessas, a Eletrobras (ELET3) sofreu ajuste para baixo de 5,71%, com sua venda tão aguardada sendo questionada na Câmara dos Deputados.

Lá fora, os chefes do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) e do Banco Central Europeu (BCE) saudaram resultados encorajadores dos testes de uma candidata a vacina contra o novo coronavírus, mas enfatizaram que as perspectivas econômicas permanecerão incertas.

O chair do Fed, Jerome Powell, e a presidente do BCE, Christine Lagarde, disseram que a economia ainda estava em um momento difícil, mesmo que o desenvolvimento de uma potencial vacina pela farmacêutica norte-americana Pfizer com a parceira alemã BioNTech SE fosse motivo para algum otimismo mais adiante.

"De um enorme rio de incerteza, vemos o outro lado agora", disse Lagarde em um painel de discussão com o chair do Fed, Jerome Powell, e o presidente do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), Andrew Bailey.

Lá fora

O S&P 500 e o Dow Jones recuaram nesta quinta-feira diante do aumento das infecções por coronavírus nos Estados Unidos e com os investidores avaliando o cronograma para a distribuição de uma vacina efetiva.

O Dow Jones Industrial Average caiu 1,08%, enquanto o S&P 500 teve baixa de 0,99% e o Nasdaq Composite perdeu 0,55%.

As ações europeias recuaram das máximas de oito meses nesta quinta-feira, com o aumento das infecções em decorrência do coronavírus levantando dúvidas sobre uma recuperação econômica mais rápida e ofuscando vários balanços trimestrais positivos.

O índice pan-europeu STOXX 600 caiu 0,8%, invertendo a trajetória depois de ter ganho, até o momento, 12,5% no mês.

Dados econômicos da economia europeia ajudam a elevar a tensão – embora o mercado e também autoridades vejam menos perigo na segunda onda em relação à primeira. A produção industrial da zona do euro caiu 0,4% em setembro ante agosto, segundo a agência oficial de estatísticas da União Europeia, a Eurostat, frustrando analistas, que previam alta de 0,8%.

As bolsas da Ásia e do Pacífico fecharam majoritariamente em baixa nesta quinta-feira (12), com várias delas realizando lucros após acumularem ganhos desde o começo da semana em meio a uma sequência de notícias positivas sobre o desenvolvimento de possíveis vacinas contra a Covid-19.

O índice acionário Hang Seng caiu 0,22% em Hong Kong, a 26.169,38 pontos, enquanto o sul-coreano Kospi recuou 0,41% em Seul, a 2.475,62 pontos, após se valorizar por oito pregões seguidos, e o Taiex registrou queda de 0,30% em Taiwan, a 13.221,78 pontos.

Na China continental, o Xangai Composto ficou no vermelho pelo terceiro dia consecutivo, com leve baixa de 0,11%, a 3.338,68 pontos, mas o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,43%, a 2.273,74 pontos.

Outra exceção positiva foi o japonês Nikkei, que subiu 0,68% em Tóquio, a 25.520,88 pontos, sustentado por ações dos setores de tecnologia e químico.

Na Oceania, a bolsa australiana seguiu o viés negativo da Ásia e também se enfraqueceu, interrompendo cinco sessões consecutivas de ganhos. O S&P/ASX 200 caiu 0,49% em Sydney hoje, a 6.418,20 pontos.

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