Ação e BDR da Pfizer: o que o investidor de cada papel ganha com a nova empresa

Enquanto os acionistas já puderam decidir o que fazer com as frações do papel da Viatris, quem está aqui no Brasil não tem muita escolha

Leonardo Guimarães, do CNN Brasil Business, em São Paulo
18 de novembro de 2020 às 17:36 | Atualizado 18 de novembro de 2020 às 17:45
Ações da Pfizer e da BioNtech subiram após empresa divulgarem dados adicionais promissores sobre vacina contra Covid-19
Foto: Brendan McDermid-29.jul.2019-Reuters

Na segunda-feira (16), a Pfizer concluiu dois movimentos: a cisão de sua subsidiária Upjohn e a fusão dessa empresa com a Mylan, outra farmacêutica. Com isso, as empresas formaram uma nova companhia: a Viatris. Com o movimento, os acionistas da Pfizer receberam uma fração de 0,124079 do papel da Viatris, que fechou o pregão de ontem negociado a US$ 16,34.

Por outro lado, quem está aqui no Brasil não tem muita escolha sobre esse investimento. Isso porque o processo está todo nas mãos da B3 (B3SA3).

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O que são BDRs e quem pode investir em ações no exterior?

Os BDRs são títulos que replicam as ações em bolsas estrangeiras. Com as mudanças, a B3 fica responsável por vender as ações que recebeu, fazer o câmbio e dar o dinheiro para os detentores de BDRs da Pfizer. 

Não existe um BDR da Viatris. Por isso a B3 opta por vender a participação na nova empresa e repassar o valor para quem detinha BDRs da Pfizer até o dia 16. O problema dessa operação é que o detentor do BDR não consegue escolher o que fazer com a fração que teria direito na Viatris. 

Outro problema é a variação do câmbio. Como a B3 é a responsável pela venda dos ativos, o investidor não pode decidir quando vender pensando na variação do dólar (ou outras moedas). Ele fica dependente da companhia. 

A execução desse tipo de evento ainda custa ao investidor R$ 0,10 por BDR. 

Por isso a operação da Pfizer expõe um problema do investimento nesse tipo de ativo. Isso não acontece apenas em casos de fusão ou cisão. Quando as empresas de fora pagam dividendos o problema se repete. 

Além da falta de opção sobre o que fazer com as frações de ação dadas em fusões ou cisões, o investidor ainda paga

“BDR está longe está longe de ser um instrumento perfeito para acessar um mercado internacional. Você perde o direito de vender e de fazer o câmbio quando achava que deveria fazer”, afirma William Castro Alves, estrategista-chefe da corretora Avenue, que atua nos Estados Unidos. 

O outro lado 

É claro que investir em BDRs não tem apenas o lado ruim. Quem escolhe esse tipo de ativo consegue uma diversificação interessante da carteira, acessando setores que não são fortes na bolsa brasileira, como tecnologia e farmacêuticas. 

Os brasileiros conseguem investir nas maiores empresas do mundo e companhias que, além de “pops” dão retorno, como Tesla, Amazon e Apple. 

“Existe uma tendência de internacionalização muito forte. As pessoas querem ter acesso a ativos ao redor do planeta e as possibilidades eram sempre fechadas no Brasil”, diz Roberto Lee, CEO da corretora Avenue Securities, sobre a mudança de regra que popularizou o acesso aos BDRs no Brasil. 

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