CEO do Alibaba adota tom conciliador na discussão sobre regulamentações na China

Zhang disse que acolhe mais regulamentação e observou que a economia digital da China tem sido capaz de se desenvolver rapidamente graças ao governo

Sherisse Pham, do CNN Business, em Hong Kong
23 de novembro de 2020 às 13:16
Fachada de prédio da Alibaba, maior provedora de nuvem de dados da Ásia (18.nov.2019)
Foto: Aly Song/Reuters

O CEO do Alibaba, Daniel Zhang, descreveu os planos dos reguladores chineses para apertar as restrições em empresas de internet como “oportuno e necessário”. 

As observações de Zhang chegaram depois que o Alibaba entrou na mira dos reguladores chineses. Notícias de uma repressão iminente derrubaram ações da empresa e de outros gigantes chineses da tecnologia no início de novembro. Isso aconteceu depois que as autoridades pisaram no freio no aguardado IPO do Ant Group, afiliada financeira do Alibaba, após críticas públicas do fundador Jack Ma, dos reguladores chineses.

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Adotando um tom mais conciliador, Zhang disse na segunda-feira (22) que acolhe mais regulamentação e observou que a economia digital da China tem sido capaz de se desenvolver e inovar rapidamente graças às políticas governamentais.

Segundo Zhang, as autoridades chinesas estão planejando novas políticas e regulamentações para garantir que as plataformas online do país se desenvolvam de maneira ordenada e saudável. A declaração foi dada na Conferência Mundial da Internet da China, segundo a agência de notícias estatal Xinhua. “Acreditamos que isso seja muito oportuno e necessário”, afirmou.

À medida que a indústria da internet na China continua a se desenvolver, “muitos novos problemas e desafios certamente surgirão”, acrescentou Zhang, e o governo precisa administrá-los “com políticas e regulamentos que acompanhem o ritmo do tempo”.

As ações do Alibaba negociadas em Hong Kong fecharam em alta e quase 5% após o discurso de Zhang. 

Cerca de duas semanas atrás, o principal regulador de mercado da China delineou diretrizes que, segundo ele, têm como objetivo evitar monopólios na internet. A mudança assustou os investidores e imediatamente eliminou US$ 250 bilhões das ações chinesas de tecnologia. As gigantes Alibaba, JD e Tencent foram duramente atingidas, mas suas ações já recuperaram algumas dessas perdas.

O projeto de diretrizes identificou vários comportamentos de monopólio que podem se tornar ilegais em breve, como exigir que os empresários escolham apenas uma plataforma online, vendendo abaixo do custo e ofereçam discriminação de preços para consumidores com base em análise de dados, de acordo com o analista Dan Baker, da corretora Morningstar.

“Os efeitos financeiros dependerão da aplicação posterior, mas acreditamos que o Alibaba herde exposições operacionais mais negativas às regras antitruste, em comparação com JD e Tencent”, escreveu Baker em uma nota no início deste mês.

Os comentários de Zhang foram feitos cerca de um mês depois de Ma criticar publicamente os reguladores chineses por sufocar a inovação e criticar os bancos do país por terem uma mentalidade de “loja de penhores”.

Logo após os comentários de Ma, os reguladores chineses interromperam o processo altamente aguardado de oferta pública do Ant Group, a empresa de tecnologia financeira afiliada ao Alibaba e controlada por Ma.

O float foi definido para ser o maior IPO da história. Mas foi interrompido no último minuto porque as autoridades disseram que o Ant pode ser afetado por novas restrições.

No início deste mês, antes de o IPO ser cancelado, o governo chinês anunciou um projeto de regulamentação para empresas de crédito ao consumidor online, como o Ant. As regulamentações propostas incluem limitar os empréstimos a tomadores individuais em 300 mil yuans (US$ 45.700) e exigir que o Ant financie 30% de todos os empréstimos que obtém em conjunto com os bancos, em oposição aos 2% que a empresa atualmente financia, de acordo com uma nota da Fitch Ratings no domingo.

“A mudança faz parte do endurecimento da abordagem regulatória do governo em relação aos grandes conglomerados da Internet”, escreveram analistas da Fitch. “Isso aponta para a preocupação dos reguladores com os riscos apresentados” por empresas como a Ant, acrescentou a Fitch.

Hannah Zhang e Laura He contribuíram para esta reportagem

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês)

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