Focus: com avanços mensais, mercado vê inflação do ano em 3,54%

As projeções do mercado financeiro para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) passaram de queda de 4,55% para recuo de 4,50%

Anna Russi, do CNN Brasil Business, em São Paulo
30 de novembro de 2020 às 09:03 | Atualizado 30 de novembro de 2020 às 09:07
Prédio do Ministério da Economia, em Brasília
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil


Em linha com a deterioração de indicadores inflacionários, analistas de mercado revisaram para cima as estimativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação do país. A previsão passou de 3,45% para 3,54%.

Os números são do Boletim Focus do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira (30). O documento reúne a estimativa de mais de 100 instituições do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos. A previsão de recessão econômica este ano reflete os impactos da pandemia da Covid-19, na economia nacional e mundial, que também caminha para uma retração. 

Com o início da retomada econômica e a alta nos preços dos alimentos e dos combustíveis, que levaram à maior inflação para meses de setembro desde 2003, as previsões para o IPCA têm avançado nas últimas semanas.

Corroborando com essa expectativa, na última sexta-feira (27), a Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou que IGP-M, índice de inflação mais conhecido por ser o padrão usado para reajuste nos contratos de aluguel, subiu 3,28% em novembro, percentual superior ao registrado em outubro (de 3,23%). De janeiro a novembro, o avanço foi de 21,97% e, no acumulado em 12 meses, a alta foi de 24,52%.

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse, na quinta-feira (26), que as expectativas de inflação para 2021 estão caminhando mais para perto da meta nas últimas duas semanas, mas que a autoridade monetária não tem nenhum sinal de que há "alguma coisa saindo muito acima da meta, nada desse tipo".

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Para este ano, o centro da meta é de 4%, enquanto para 2021 é de 3,75% e para 2022 de 3,5%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos. A meta é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e, para persegui-la, o BC eleva ou reduz a taxa de juros básica, a Selic, atualmente na mínima histórica, a 2% ao ano. 

PIB

Embora tenha registrado leve variação, as projeções do mercado financeiro para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) continuaram no patamar de queda de 4,5%. Na semana passada, era esperado um recuo de 4,55%. 

No entanto, nos últimos meses a expectativa do mercado tem ficado menos pessimista em relação à queda da economia. Um dos fatores que ajuda em mais uma melhora das previsões, por exemplo, é o resultado do índice de atividade econômica do Banco Central, o IBC-Br, que indicou que o Brasil sairá da chamada recessão técnica no próximo trimestre, com avanço de 9,5% no terceiro trimestre do ano.

A projeção do mercado é exatamente a mesma que a nova previsão oficial da equipe econômica, revisada há duas semanas, que espera queda de 4,5%.

Apesar de terem melhorado suas expectativas, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), ainda veem retração de 5,4% e 5,8% na economia brasileira. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê que a recessão da economia brasileira seja de 6,5%.

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