Radar Político: Ao definir meta, governo evita problema no TCU e no Legislativo

Ideia anterior da equipe econômica, de déficit flexível, não era bem vista por parlamentares e poderia ser questionada pelo Tribunal de Contas da União

Da CNN
15 de dezembro de 2020 às 14:54 | Atualizado 15 de dezembro de 2020 às 14:54

No quadro Radar Político da CNN Rádio desta terça-feira (15), os analistas Igor Gadelha e Fernando Molica comentaram a meta fiscal para 2021 anunciada pelo governo: R$ 247,1 bilhões.

“Antes mesmo de o Tribunal de Contas da União (TCU) questionar o governo sobre a ideia de meta flexível acusaram o governo de tentar fazer malabarismo e não querer assumir um compromisso", disse Gadelha.

"Por isso, alguns líderes do Congresso viram a atitude do governo com bons olhos. Pressionado, o ministro Paulo Guedes resolveu ceder e definir a meta fiscal com déficit. É um valor alto, mas considerado um jogo limpo do governo pelos parlamentares”, completou.

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Já Molica afirmou que o governo evitou adotar uma espécie de ‘pré-pedalada', como ele descreveu a ideia anterior de não ter uma meta fixa no orçamento.

“Mas estamos diante de uma pandemia, ninguém poderia prever que o governo gastaria o que gastou por mês. Só o déficit com o auxílio emergencial neste ano equivale a tudo que o governo previu de déficit para 2021”, disse.

“O importante para o governo é votar logo a lei de diretrizes orçamentárias, o que está previsto para amanhã, já que sem isso o governo não consegue nem liberar dinheiro a partir de 1º de janeiro.”