Empresa demite gestores que teriam apostado quantos funcionários pegariam Covid

Multinacional Tyson Foods abriu investigação sobre incidentes em fábrica de processamento de suínos na qual 1/3 dos funcionários teve Covid em maio

Por Danielle Wiener-Bronner, do CNN Business
17 de dezembro de 2020 às 02:15 | Atualizado 17 de dezembro de 2020 às 02:29
Funcionários da Tyson Foods em vídeo publicado pela empresa
Foto: Instagram/ Tyson Foods/ Reprodução


A multinacional do setor alimentício Tyson Foods demitiu sete gestores em sua maior fábrica de processamento de suínos em Waterloo, no estado americano do Iowa, após uma investigação independente sobre alegações de que alguns deles apostavam em quantos trabalhadores seriam infectados pela Covid-19.

Em novembro, já corria na companhia um processo de homicídio culposo pela morte de um funcionário vítima do novo coronavírus. A ação foi acrescida de novas alegações sobre o comportamento de líderes dentro das instalações na cidade de Waterloo.

Mais de um terço dos trabalhadores do local testou positivo para Covid-19 no início de maio.

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O processo investigou as alegações de que os supervisores e gerentes da Tyson nas instalações apostavam em quantos trabalhadores adoeceriam. Eles teriam negando conhecimento da propagação da doença no ambiente trabalho, mas tomariam medidas para proteger a si próprios de contaminações.

Também foi alegado que os gerentes das fábricas encorajavam os trabalhadores a permanecer no trabalho mesmo se estivessem passando mal ou exibindo sintomas.

A empresa suspendeu as pessoas que estariam supostamente envolvidas e indicou o ex-procurador-geral Eric Holder junto com seu escritório de advocacia Covington & Burling LLP para conduzir uma investigação independente do caso.

"Os comportamentos exibidos por esses indivíduos não representam os valores centrais da Tyson, e é por isso que tomamos medidas imediatas e apropriadas para chegar à verdade", disse o CEO da Tyson Foods, Dean Banks, em comunicado na quarta-feira. 

As investigações também incluíram problemas mais amplos sobre o combate à Covid-19 pela Tyson, alegando que a empresa não tomou medidas suficientes para proteger os trabalhadores e os manteve trabalhando enquanto estavam doentes.

A Tyson disse na quarta-feira em resposta ao processo que está "entristecida pela perda de qualquer membro da equipe", acrescentando que implementou medidas de proteção em suas instalações para ajudar a proteger os trabalhadores.

O escritório de Covington, assim como os advogados dos réus e do autor, não respondeu imediatamente aos pedidos para comentar o caso.

Um processo de homicídio culposo foi movido por Oscar Fernandez, cujo pai, Isidro Fernandez, trabalhava na instalação de Waterloo e morreu em abril devido a complicações da Covid-19.

As instalações de empacotamento de carne, onde funcionários costumam trabalhar em ambientes fechados, surgiram como pontos críticos de vírus no início da pandemia.

No final de abril, a Tyson desativou temporariamente as instalações de Waterloo, depois que um número crescente de seus 2.800 trabalhadores ficou doente. Na época, o departamento de saúde do condado de Black Hawk vinculou a fábrica da Tyson a 182 dos casos Covid-19 na região, que totalizavam 374 no total.

A Tyson disse que decidiu interromper a produção em Waterloo depois de receber dados do departamento de saúde. Ela reabriu a fábrica em maio, dizendo que havia rehigienizado todo local e instalado "medidas de segurança reforçadas e medidas de distanciamento social de proteção".

Naquela época, mais de 1.000 trabalhadores de Waterloo haviam testado positivo para Covid-19, de acordo com o departamento de saúde do condado.

A Tyson disse na quarta-feira que o CEO Dean Banks foi a Waterloo no mês passado após as acusações e se reuniu com funcionários e líderes comunitários.

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