'Melhor do que nada': Alívio à Covid-19 de US$ 900 bi ajuda, mas decepciona

Pacote aprovado pelo Congresso dos EUA nesta segunda (21) pode não ser suficiente para recuperar as perdas do ano

Ann Saphir e Jonnelle Marte, da Reuters
21 de dezembro de 2020 às 16:38
Montagem com nota de cem dólares mostra o ex-presidente dos EUA, Franklin Roosevelt, usando máscara
Foto: Viacheslav Lopatin/Shutterstock 

O pacote de alívio de US$ 900 bilhões dos Estados Unidos à pandemia, aprovado pelo Congresso americano nesta segunda-feira (21), dará apoio a uma economia atingida pela recessão e abrirá caminho para uma recuperação mais forte no próximo ano.

Mas o auxílio vem meses depois que o último grande pacote de alívio fiscal foi aprovado e carece de ajuda direta para estados e cidades em dificuldades, já que milhões continuam desempregados e as empresas sofrem novamente com novas restrições para reduzir a propagação do vírus.

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"Embora o acordo esteja com meses de atraso e provavelmente fique aquém do que é necessário para evitar um inverno difícil, é melhor do que nada", disse Gregory Daco, economista-chefe da Oxford Economics para os Estados Unidos.

Mesmo antes de ser firmado, há um intenso debate sobre se será necessário mais auxílio e se o pacote alcançará os norte-americanos mais necessitados.

Ainda assim, a presidente do Federal Reserve de São Francisco, Mary Daly, chamou a ajuda de "inequivocamente benéfica" em uma entrevista no domingo no programa "Face the Nation", da CBS.

Tempos melhores

A economia norte-americana está cerca de US$ 1 trilhão menor do que estaria sem a pandemia e a recessão como resultado.

A estimativa é baseada na diferença entre o ritmo em que a produção econômica caminha neste ano antes do início da crise sanitária — a economia começou 2020 em cerca de US$ 21,7 trilhões — e onde está agora.

O novo cálculo, com aproximadamente o tamanho dessa lacuna, contém US$ 166 bilhões para cheques diretos para a maioria dos norte-americanos, US$ 120 bilhões em pagamentos extras de seguro desemprego aos desempregados e quase US$ 300 bilhões em novos empréstimos do "Programa de Proteção ao Pagamento" (PPP, na sigla em inglês) para empresas que mantêm os funcionários em seus quadros, entre outras coisas.