Banco do Brics deve emprestar até US$ 2 bi ao Brasil, com foco em infraestrutura

'Entre 2015 e 2019, o Brasil tinha 8% da carteira do banco e este ano atingimos quase 20% do portfólio', disse a diretora da instituição

Rodrigo Viga Gaier, da Reuters
21 de dezembro de 2020 às 21:25 | Atualizado 21 de dezembro de 2020 às 21:26
Foto do trecho da BR-381: Saneamento, rodovias, iluminação e hospitais devem se benficiar do aporte
Foto: Divulgação 

O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) deve conceder empréstimos de até US$ 2 bilhões  ao Brasil em 2021 para financiar principalmente projetos de infraestrutura, disse à Reuters a diretora do banco do Brics para Brasil e Américas, Cláudia Prates.

Segundo Prates, o banco tem como um dos grandes focos no país a áreas de saneamento, cujo marco regulatório foi aprovado este ano. Outras áreas no radar do NDB são rodovias e iluminação pública.

“A gente espera para o ano que vem um cheque de US$ 1,5 a US$ 2 bilhões para o Brasil com foco em infraestrutura em geral”, disse a diretora, frisando que o NDB vai buscar financiar projetos em pool com outros bancos.

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Para ganhar mais clientes, penetração e capilaridade, o banco, segundo Prates, deve implementar medidas de modernização como operações em reais e apoio a programas de project finance, modalidade de estruturação financeira em que o fluxo de caixa da operação financiada é usado para quitar o financiamento.

Outra área de interesse do banco no Brasil é o apoio a projetos de impacto social, como financiamento de escolas e hospitais.

“Vamos trabalhar junto com bancos regionais para distribuir mais o funding do NDB para municípios menores“ , frisou a executiva.

O banco já aumentou sua exposição no Brasil este ano com ações emergenciais de US$ 1 bilhão para financiar o auxílio emergencial e mais US$ 1 bilhão para o FGI/Peac, programa de crédito para empresas de pequeno e médio portes.

O NDB também financiou indiretamente projetos municipais e regionais e realizou empréstimos privados que totalizaram US$ 1,5 bilhão.

“Entre 2015 e 2019, o Brasil tinha 8% da carteira do banco e este ano atingimos quase 20% do portfólio", disse Prates. Segundo ela, a perspectiva era chegar nesse patamar em dois anos, mas o financiamento às ações de enfrentamento ao baque da pandemia antecipou esse desempenho.