Distanciamento: brasileiro cria startup nos EUA que diz se lugares estão cheios

Empresa usa tecnologia para calcular quantidade de pessoas em um determinado espaço

Gabriel Passeri e Ada Van Deursen, da CNN Brasil*
06 de janeiro de 2021 às 05:00
Linus Grasel, Max Topolsky e Nic Halverson
O brasileiro Linus Grasel e seus colegas Max Topolsky e Nic Halverson
Foto: Arquivo pessoal

Imagine ir à biblioteca de sua universidade e não encontrar uma mesa para estudar. Foi essa situação que o brasileiro Linus Grasel e seus colegas Nic Halverson e Max Topolsky enfrentaram nos anos de graduação em San Diego, na Califórnia (EUA). Para solucionar o problema, eles desenvolveram um sensor capaz de calcular a quantidade de pessoas em um determinado espaço.

Com seus conhecimentos em engenharia, eles criaram um dispositivo batizado de Waitz, em que os estudantes da universidade, por meio do aplicativo, podiam monitorar em tempo real a quantidade de pessoas não só na biblioteca, mas também na academia, cafeteria e outros lugares concorridos.

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Os sinais de Bluetooth e Wi-Fi emitidos pelos dispositivos eletrônicos, seja celular, notebook ou Airpods, permitem que a plataforma faça essa estimativa. Após os primeiros testes, constatou-se que os sensores possuíam precisão superior a 95%.

“Isso viralizou no campus. Em menos de uma semana, o aplicativo foi baixado três mil vezes, com mais de 25% de todos os estudantes usando e sem marketing nenhum. Foi aí que percebemos que tínhamos uma grande ideia em mãos e que isso era algo viável para comercialização”, disse Grasel à CNN Brasil.

Desafios da pandemia

Em 2017, o trio fundou a Occuspace, startup que realiza o monitoramento da quantidade de pessoas em locais públicos de forma anônima, respeitando os critérios estabelecidos pela Lei de Proteção de Dados. No começo deste ano, a chegada da pandemia exigiu uma reinvenção da empresa, que perdeu três grandes contratos em um valor total de US$ 200 mil.

“A pandemia foi um grande desafio. Tivemos que usar nossa criatividade e persistência, e começamos a pensar no futuro. Percebemos que nossa startup poderia oferecer a informação estratégica do momento. Quão ocupado está cada espaço, cada estabelecimento? Esse tipo de informação se tornou crucial para todos, comerciantes, gerentes e consumidores. Decidimos adaptar nossos produtos e evoluir nossa empresa para uma plataforma de distanciamento social”, afirma Grasel.

Com o novo propósito de negócio, empresas e universidades passaram a buscar a plataforma para otimizar o distanciamento social em seus ambientes de uma forma segura e simples. Assim, a empresa foi incorporada nos planos de reabertura de diversos locais, seguindo as diretrizes do CDC (Centro de Controle de Doenças), agência americana equivalente à Anvisa no Brasil. 

A empresa atua nos Estados Unidos e tem clientes em diversos setores. Além de universidades em San Diego, Irvine, Santa Bárbara e Oklahoma, a Occuspace fechou parcerias com a CarMax, condomínios e conglomerados de resorts de ski, como a Alterra. “Hoje a Occuspace já atende mais de 500 mil metros quadrados e é usada por mais de 1 milhão de pessoas, sempre orientando-as quanto ao distanciamento social”, disse Grasel.

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* Sob supervisão de Thâmara Kaoru