Moody's: pobreza e espaço fiscal reduzido tornam negativas perspectivas para AL

Segundo a agência de classificação de risco, a maioria das economias devem crescer acima de 3% em 2021, depois de tombo superior a 5% no ano passado

Gregory Prudenciano, do Estadão Conteúdo
07 de janeiro de 2021 às 09:48
Moody's
Foto: Reuters/Brendan McDermid


A perspectiva de crédito da Moody's Investor Service para as dívidas soberanas de países da América Latina e Caribe é negativa, e a conjunção de fatores que tem levado a essa piora deve persistir na região por mais 12 a 18 meses. É o que afirma relatório da Moody's divulgado nesta quinta-feira (7).

Segundo a agência de rating, a pandemia de Covid-19 levou a medidas de incentivo por parte de bancos centrais e governos, o que diminuiu o espaço fiscal para os meses seguintes ao mesmo tempo em que os aumentos das taxas de pobreza e desigualdade na região devem pressionar por mais gastos dos governos, pesando nos saldos fiscais e favorecendo políticas populistas por parte dos governantes.

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A Moody's projeta que a recuperação econômica vista na América Latina e Caribe desde o segundo semestre de 2020 deve continuar em 2021, com a maioria das economias crescendo além de 3%, depois de tombo superior a 5% no ano passado.

Apesar do crescimento esperado, que deve levar a recomposição de partes das receitas perdidas, "a arrecadação de impostos permanecerá abaixo dos níveis anteriores da pandemia", diz a nota enviada a jornalistas. "Apesar da diminuição dos déficits, os índices da dívida continuarão a subir, o que causa pressão adicional sobre os perfis de crédito soberano".