Magalu, Via Varejo, B2W: estrelas da bolsa em 2020 devem virar coadjuvantes

Ações das empresas de comércio eletrônico já subiram muito e devem ser ultrapassadas por outras neste ano, mas especialistas ainda recomendam compra

Juliana Elias, do CNN Brasil Business, em São Paulo
08 de janeiro de 2021 às 05:00
Magazine Luiza
Centro de distribuição do Magazine Luiza: Ação da empresa subiu 110% em 2020
Foto: Paulo Whitaker/Reuters (24/04/2018)

Em um ano em que a circulação ficou comprometida na maior parte do tempo, as empresas com presença no comércio eletrônico não tiveram do que reclamar. Não à toa, elas registraram na bolsa de valores algumas das maiores altas do ano. 

A B2W (BTOW3) encerrou 2020 com ganhos de 21%, a Via Varejo (VVAR3) subiu 45% e o Magazine Luiza (MGLU3) avançou 110%. São varejistas que ou operam integralmente na internet – caso da B2W, dona do Submarino e da Americanas.com –, ou que têm forte pilar digital, caso das outras duas.

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Elas encerraram dezembro entre as 20 maiores altas do ano do Ibovespa, o índice que reúne as principais ações da B3, a bolsa de valores brasileira. 

Em 2021, porém, já devem encontrar um cenário diferente. Se, em 2020, encheram de lucros as carteiras de seus investidores, neste ano podem até dar algum ganho, mas bem para trás de uma série de outras empresas e setores que ainda têm uma recuperação inteira pela frente. 

“Elas já chegaram muito perto de seu preço-alvo, então o potencial de crescimento não vai mais ser igual ao de 2020”, disse o economista-chefe do banco Modalmais, Alvaro Bandeira. 

Isso já começou a aparecer nos últimos meses do ano. As ações do Magazine Luiza, por exemplo, bateram os R$ 25 pela primeira vez em outubro e, desde então, vêm andando em círculos ao redor desse valor.

A Via Varejo já caiu 24% desde seu pico, em julho, e a B2W murchou 40% desde a máxima em agosto, depois de ter subido 100% do começo do ano até ali. 

Troca de setores

De acordo com analistas, é natural que aconteça um ajuste nessas empresas, depois de altas tão fortes e em tão pouco tempo.  

Felipe Villegas, analista da Genial, explica que as “tech” brasileiras caíram em um fenômeno que o mercado financeiro chama de “rotação setorial”: uma troca generalizada de ações nas carteiras de diversos fundos e investidores. 

“O mercado começou a sair das empresas que já tinham se beneficiado bastante, que foram as de e-commerce, e começou a se posicionar bastante no setor de commodities, que deve viver um ciclo positivo em 2021”, disse Villegas. 

Isso, de acordo com ele, vem acontecendo desde outubro. Não à toa, foram exportadoras de produtos básicos e indústria pesada como CSN, Petrorio, Vale, Usiminas e Suzano que mais cresceram de lá para cá. Elas foram rapidamente tomando das digitais os primeiros lugares na lista de maiores altas do ano. 

Até junho, quando cerca de 90% das ações do Ibovespa ainda estavam no vermelho, a trinca B2W, Magalu e Via Varejo já subia mais de 10% e deixava todas as outras para trás.

Hora de comprar?

Os ajustes dos últimos meses não significam, porém, que o comércio eletrônico e as ações que as representam na bolsa se esgotaram. Pelo contrário, a participação do online no varejo brasileiro é ainda muito pequena e tem muito para crescer nos anos à frente. 

Por essa razão, os especialistas ainda recomendam a compra dos papéis. “Tem outros setores que devem subir mais neste ano, como o bancário e o de commodities, mas uma carteira tem que ser diversificada e vale ter uma das três com certeza", disse Bandeira, do Modalmais. 

"Há ainda um fluxo grande de dinheiro estrangeiro para entrar na bolsa e o setor [de comércio eletrônico] continua indo muito bem, com todas as restrições que ainda devem permanecer”, completou.

A recomendação de Bandeira, porém, é eleger apenas uma das três para ter na carteira –  “elas andam de maneiras mais ou menos parecidas”, disse. O economista recomenda Magazine Luiza ou Via Varejo. 

As duas estão também nas listas de recomendações para janeiro de corretoras e bancos consultados pelo CNN Business.