Bolsonaro recua da decisão de demitir presidente do Banco do Brasil


Caio Junqueira
Por Caio Junqueira, CNN  
14 de janeiro de 2021 às 16:26 | Atualizado 14 de janeiro de 2021 às 19:39

 

O presidente Jair Bolsonaro suspendeu a demissão do presidente do Banco do Brasil, André Brandão. 
O ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, conseguiram, no mínimo, adiar a saída de Brandão que o próprio presidente já havia sinalizado a seus interlocutores.

O principal argumento de ambos ao presidente foi o de que a demissão traria um impacto muito negativo no mercado porque demonstraria uma interferência política do Palácio do Planalto no banco, que tem capital aberto  e com ações negociadas nos mercados do Brasil e dos EUA. Ontem, com notícia da saída, o BB perdeu R$ 6 bilhões em valor de mercado. Hoje, as ações abriram em queda, mas conforme a demissão não se concretizava, os papéis foram voltando ao terreno positivo.

Bolsonaro se irritou por ter sabido dois dias antes apenas que Brandão fecharia 361 unidades do Banco do Brasil. A informação, contudo, chegou a ele pela política. Prefeitos que teriam unidades do banco fechadas reclamaram a deputados, que, por sua vez ,fizeram suas queixas ao governo.

De acordo com fontes, Bolsonaro está “extremamente sensível” com as eleições no Congresso. Em especial na Câmara, onde pretende derrotar Baleia Rossi, candidato de Rodrigo Maia, e eleger Arhur Lira. Diante disso, o presidente tem rejeitado qualquer movimento que possa desagradar parlamentares e virar motivo de insatisfação deles com o governo.

O problema com Brandão, contudo, não está resolvido. Fontes informaram à CNN que o presidente não tem afinidade com ele como tinha com o antecessor, Rubem Novaes, e não descartam que ele deixe o banco mais para a frente.