Fusão entre Fiat e Peugeot visa evitar fechamento de fábricas, diz CEO a jornal

A união das companhias deu origem à Stellantis, quarto maior grupo automotivo do mundo

Ligia Tuon, do CNN Brasil Business, em São Paulo
19 de janeiro de 2021 às 21:35
Foto: Communication FCA /Handout via REUTERS
 

Após a fusão entre os fabricantes de veículos PSA (Peugeot-Citroen) e FCA (Fiat-Chrysler) se tornar oficial, no último dia 16, o CEO da companhia, Carlos Tavares, disse que o principal motivo dessa consolidação é evitar o fechamento de fábricas.

A união das companhias deu origem à Stellantis, quarto maior grupo automotivo do mundo. A operação havia sido anunciada inicialmente no ano passado e recebeu o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no último sábado. 

 

Em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, nesta terça-feira (19), o executivo disse que a consolidação do setor é uma forma de “evitar a situação triste” que foi o fim da produção da Ford no Brasil.

A montadora anunciou sua saída do país na segunda-feira (11), com o fechamento das fábricas em Taubaté (SP), que produz motores, Camaçari (BA), onde produz os modelos EcoSport e Ka, e em Horizonte (CE), onde são montados os jipes da marca Troller. Cerca de 5.000 funcionários devem ser afetados diretamente na América do Sul, estima a companhia. 

Na entrevista desta terça-feira, Tavares falou também sobre a necessidade de o setor unir forças diante de dificuldades em meio à transição tecnológica da indústria automotiva, que, segundo ele, vive o maior desafio desde o pós-Segunda Guerra.

Governos pelo mundo todo já proíbem ou sinalizam planos de barrar a produção de carros com motor a combustão. Esse é um dos movimentos que desafiam o setor, que precisa avançar na questão das emissões de gases no meio ambiente, além da questão da conectividade e da condução autônoma. "Todos esses desafios exigem muito investimento em tecnologia e engenharia", disse o executivo.

Esse movimento, que vem também com um aumento da regulamentação no setor, se traduzirá, segundo ele, no aumento do custo dos automóveis: "Temos um problema a ser debatido pela sociedade a respeito da liberdade de movimento dos cidadãos", disse.