Confira 6 dicas para ter uma vida financeira saudável e viver no azul em 2021

O começo do ano é um bom momento para começar a ter uma vida financeira mais saudável

Estela Aguiar, do CNN Brasil Business, em São Paulo
26 de janeiro de 2021 às 05:00 | Atualizado 26 de janeiro de 2021 às 09:31
Cofre de porquinho
Cofre de porquinho: um ano novo pode trazer novos hábitos para o seu dinheiro 
Foto: Unsplash/Freerange Stock

Os efeitos da pandemia do novo coronavírus deixaram milhões de brasileiros na fila do desemprego. E o ano 2021, mesmo com a vacinação começando, deve continuar sendo bem complicado --o que pressionará ainda mais o bolso dos brasileiros.

O começo do ano é um bom momento para começar a ter uma vida financeira mais saudável. O CNN Brasil Business conversou com especialistas e reuniu dicas essenciais para quem quer ficar no azul.

  1. Priorize dívidas mais caras

Se as dívidas de 2020 se arrastaram para 2021, é o momento de acionar o sinal de alerta. Nesta situação, evite ao máximo criar novas dívidas e priorize pagar as de juros mais altos --ou seja, foco no pagamento de dívidas como o cheque especial e o cartão de crédito. 

Há também a questão emocional. Para o planejador financeiro e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Jurandir Macedo, manter-se calmo favorece a organização dos endividados. "[É importante] Fazer um balanço e ter a cabeça fria, porque desespero não paga dívida", alerta. 

2. Faça um controle financeiro 

Com o auxílio de uma planilha de finanças ou aplicativo de controle financeiro, registre o salário que entra na sua conta e as rendas extras. Em seguida, preencha gastos, despesas e custos.

O CNN Brasil Business tem uma planilha de finanças em que é possível visualizar os gastos previstos ao longo do ano e os gastos correspondentes a cada mês. Além disso, há um painel interativo, indicando qual setor está consumindo mais o orçamento mensal –e provavelmente deve ser aquele em que é necessário cortar mais despesas. 

A planilha foi criada por Michael Viriato, consultor financeiro e professor do Insper. "Facilita o seu controle. Controles muito complexos não é possível manter”, diz. 

Há também outras opções. De acordo com Macedo, da UFSC, os aplicativos podem ser uma boa pedida para quem não tem familiaridade com planilhas. Opções não faltam: Guiabolso, Organizze, Wallet, entre outros. Porém, o usuário deve ficar atento às pegadinhas.

"Para quem está começando agora, os aplicativos são muito interessantes, mas é preciso ter cuidado com eles, pois ele não faz tudo. Um exemplo é a ida ao supermercado: a ferramenta vai entender aquilo como alimentação, quando na verdade você também vai comprar outras coisas", afirma. Logo, organização é tudo.  

3. Crie objetivos e estipule prazos

Outra parte importante do controle financeiro é conseguir pensar em objetivos e estipular em quanto tempo será possível cumpri-los. Assim, fica mais visível o porquê de fazer o controle das despesas –e ajuda a dar um norte para o seu esforço (às vezes, até uma recompensa). 

Paulo Gallo, professor de finanças na Fundação Getúlio Vargas, afirma que o segredo está no planejamento e na ordem de importância de cada meta. "Há uma série de coisas boas que fazemos para nós mesmos, mas isso não se consegue só por querer. É preciso estabelecer um objetivo claro. É necessário quantificar o objetivo e criar datas, estabelecer metas mensais, intermediárias, além de colocar grandes objetivos em primeiro lugar." 

4. Fuja das compras por impulso

Mesmo com a pandemia, o brasileiro fez compras. Com acesso ilimitado a sites, aplicativos e perfis de lojas nas redes sociais, as vendas no e-commerce dispararam. De acordo com uma pesquisa realizada pela Ebit/Nielsen, as vendas deste setor no Brasil devem crescer 26% este ano, um faturamento de R$110 bilhões. Por isso, mesmo no conforto de casa, visitar essas plataformas pode ser um perigo.

Os algoritmos também não facilitam a vida: as propagandas estão cada vez mais assertivas, até mesmo de produtos que sequer as pessoas pensavam que eram necessários.

Segundo Viriato, algumas atitudes simples evitam que o brasileiro caia na tentação. "A compra usualmente é algo por impulso, por isso evite andar com cartão de crédito e prefira estar com o dinheiro na carteira. Desabilite o cartão de crédito no celular e não deixe habilitado o pagamento via Pix", sugere. 

5. Tenha uma reserva de emergência

Ao verificar quais são as suas prioridades financeiras, além de quitar dívidas e parcelamentos, separe uma parcela do salário que seja compatível com sua realidade para iniciar a reserva de emergência. Assim, é possível garantir que, em caso de algum imprevisto, seja possível resolver com o dinheiro guardado, sem ter que se endividar.

Macedo reforça que, antes de tudo, o primeiro passo precisa ser se livrar do que corrói seu orçamento. Em seguida criar a reserva. 

"A primeira coisa é sair das dívidas, depois criar uma reserva de imprevistos. É importante lembrar que esse dinheiro precisar estar em um investimento sem riscos", diz ele. Ou seja, lugares como poupança ou títulos públicos (muito mais indicados, pois possuem uma maior rentabilidade). 

6. Transforme seu comportamento financeiro 

Entrar e sair em bolas de neve de dívidas, parcelamentos e compras por impulso parece um ciclo sem fim, mas, com pequenas atitudes, criando pequenos hábitos, é possível transformar seu comportamento financeiro. 

Durante a pandemia, o brasileiro guardou mais dinheiro na poupança. De acordo com a pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), um terço da população (32%) conseguiu poupar em 2020. 

"O que aprendemos com a pandemia é que a gente não precisa de tudo para viver. Aprendeu que algumas coisas não são tão necessárias quanto imaginávamos", afirma Gallo.