Ibovespa fecha em queda pressionado novamente por Petrobras; dólar sobe

Preocupações fiscal, juntamente com o temor de que Bolsonaro tenta influenciar os preços da Petrobras, descolaram o Brasil do bom humor internacional

Matheus Prado e Leonardo Guimarães, do CNN Brasil Business, em São Paulo*
09 de fevereiro de 2021 às 09:15 | Atualizado 09 de fevereiro de 2021 às 18:17
Sacos de arroz em supermercado no Rio de Janeiro
Foto: Pilar Olivares/Reuters (10.set.2020)

O dólar deixou as máximas de mais cedo, mas ainda fechou em alta de 0,19%, para R$ 5,3827 nesta terça-feira (9), com o mercado mostrando receios de mais despesas públicas sem contrapartidas fiscais, o que levou o real mais uma vez ao pior desempenho no mundo e o Banco Central a intervir com venda de US$ 1 bilhão no mercado de derivativos.

Na máxima, a moeda foi a R$ 5,4483 (+1,41%), antes de, na mínima, descer a R$ 5,3546 (-0,33%).

Já o Ibovespa fechou em queda de 0,19%, para 119.471 pontos, mais uma vez pressionado pelas ações da Petrobras. As ações da estatal (PETR3, PETR4) caíram 2,6% à medida que o mercado precifica o receio sobre a inteferência do governo federal nos preços praticados pela companhia. 

As ações da Sabesp (SBSP3) dispararam 7,1% depois que a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) divulgou a proposta de revisão tarifária para a companhia, propondo uma tarifa média de R$ 4,84 / m3. 

CVC (CVCB3) caiu 1%, após quatro membros do conselho de administração da operadora de turismo renunciarem, entre eles o presidente Silvio José Genesini Junior. A companhia convocou assembleia para 11 de março para aprovar novos membros. A CVC não detalhou a razão da saída dos conselheiros.

A Vale (VALE3) ganhou 0,2%, após avançar mais de 5% nos últimos dois pregões. No setor de mineração e siderurgia, CSN (CSNA3) subiu 2,4%, tendo no radar precificação do IPO da sua unidade de mineração na sexta-feira.

O BTG Pactual (BPAC11) perdeu 0,7%, mesmo após resultado trimestral forte no quarto trimestre de 2020. Na véspera, os papéis atingiram máximas históricas já antecipando números sólidos. No setor, Itaú (ITUB4) teve alta de 1,6%, Bradesco (BBDC4) avançou 0,8% e Santander (SANB11) subiu 1,6%. 

Investidores brasileiros repercutiam a alta de 0,25% do IPCA em janeiro e os riscos fiscais do país, com a volta do auxílio emergencial ganhando força sem que o governo avance com reformas.

Essas preocupações, juntamente com o temor de que Bolsonaro tenta influenciar a política de preços da Petrobras, descolaram o mercado brasileiro do bom humor internacional.

Lá fora

O índice Nasdaq estendeu sua sequência de vitórias para sete dias consecutivos, mas o mercado em geral fechou ligeiramente em baixa, com investidores deixando nomes de tecnologia de grande capitalização em prol de setores vistos como beneficiários do projeto de estímulo de 1,9 trilhão de dólares proposto pelo presidente Joe Biden.

O Dow Jones teve variação negativa de 0,03%, para 31.375 pontos. O S&P 500 perdeu 0,11%, para 3.911 pontos. E o Nasdaq Composite teve alta de 0,14%, para 14.007 pontos.

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta, após mais um dia de recordes em Wall Street. Os mercados chineses lideraram os ganhos na região hoje, impulsionados por ações do setor petrolífero e químico.

O Xangai Composto subiu 2,01%, sua maior alta em quase um mês, encerrando o pregão aos 3.603,49 pontos, enquanto o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 2,43%, a 2.418,24 pontos.

No Japão, o Nikkei se valorizou 0,40%, a 29.505,93 pontos, e em Hong Kong, o Hang Seng teve alta de 0,53%, a 29.476,19 pontos. Exceção, o sul-coreano Kospi caiu 0,21% em Seul, a 3.084,67, pressionado por saídas de capitais externos. Em Taiwan, a bolsa não operou pelo segundo dia consecutivo, à espera do feriado do ano-novo chinês.

Já na Oceania, a bolsa australiana ficou no vermelho, prejudicada por balanços de empresas locais. O S&P/ASX 200 caiu 0,86% em Sydney, a 6.821,20 pontos. 

(*Com informações do Estadão Conteúdo e da Reuters)