Novas despesas sem contrapartida impactariam política monetária, diz Campos Neto

Para o presidente do Banco Central,um aumento de gastos feito com a intenção de promover a atividade da economia pode acabar tendo um efeito contracionista

Isabel Versiani, da Reuters
09 de fevereiro de 2021 às 14:28 | Atualizado 09 de fevereiro de 2021 às 15:02
Roberto Campos Neto em sua posse como presidente do Banco Central (28.fev.2019)
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reiterou nesta terça-feira que o país não tem espaço fiscal para adotar medidas adicionais de estímulo sem uma compensação que evite um aumento das despesas e alertou que um movimento nesse sentido poderia afetar a política monetária.

 "Se você fizer outro pacote fiscal sem contrapartida, a mensagem que vai passar é que a trajetória da dívida vai continuar aumentando, (assim como) o prêmio de risco que os investidores vão pedir para segurar a dívida do Brasil", disse Campos Neto ao participar de evento virtual do Observatory Group. "Pode ter uma implicação para o tipo de política monetária que o Banco Central pode fazer", acrescentou.

Ele reforçou o argumento de que um aumento de gastos feito com a intenção de promover a atividade da economia pode acabar tendo um efeito contracionista.

"Precisamos ser sérios sobre nossa narrativa de como vai ser feita a convergência fiscal", disse Campos Neto.