Ford acusa sindicatos de Camaçari e Taubaté de greve ilegal

A medida é uma reação da montadora após ter sido impedida pela Justiça do Trabalho de demitir funcionários antes de finalizar as negociações

Raquel Landim
Por Raquel Landim, CNN  
12 de fevereiro de 2021 às 22:32 | Atualizado 13 de fevereiro de 2021 às 15:55

A Ford entrou com um pedido de liminar contra os sindicatos dos metalúrgicos de Camaçari (BA) e Taubaté (SP), com a alegação de promoção de greve ilegal.

A medida é uma reação da montadora após ter sido impedida pela Justiça do Trabalho de demitir funcionários antes de finalizar as negociações coletivas com os sindicatos.

Em janeiro deste ano, a Ford informou que deixaria de produzir veículos no Brasil e fecharia suas três fábricas. A montadora também possui uma unidade em Horizonte (CE).

A batalha jurídica levou a Justiça a promover duas audiências de conciliação entre a montadora e os sindicatos nesta sexta-feira (12), mas ainda sem resultados concretos.

A montadora alega que os sindicatos se recusam a negociar e que estão fazendo greve ilegal, porque grupos de trabalhadores foram convocados a fabricar peças de reposição, mas não compareceram.

Os sindicatos rebatem que a empresa não forneceu todas as informações necessárias sobre sua situação financeira e sobre a remuneração dos trabalhadores para que possam negociar um acordo em igualdade de condições. Em média, a Ford ofereceu bônus de 25 salários extras.

“Estamos negociando uma reparação pela saída da empresa do Brasil e não apenas uma demissão incentivada. É muito mais grave”, disse à CNN Júlio Bonfim, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari.

O sindicato de Taubaté afirmou que a Ford age de "má-fé, uma vez que não existe greve na fábrica". "Quem paralisou as atividades na unidade foi a montadora, e a própria empresa entrou com o dissídio coletivo de greve", disse em nota o sindicato.

Procurada, a Ford preferiu não comentar. Em nota, a empresa já havia informado que segue mantendo os contratos e o pagamento dos salários enquanto duram as negociações. As audiências prosseguem após o Carnaval.