Nomeação de novo presidente gera crise interna na Petrobras, diz ex-diretor

Anúncio do presidente desrespeita decisões do conselho da empresa, afirma Ildo Sauer

Da CNN, em São Paulo
19 de fevereiro de 2021 às 23:55 | Atualizado 20 de fevereiro de 2021 às 00:18

O anúncio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de que o governo indicou o general Joaquim Silva e Luna para substituir o cargo do atual presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, gera uma crise interna na empresa, na avaliação do ex-diretor da companhia, Ildo Sauer, em entrevista à CNN nesta sexta-feira (19).

"O governo não deveria interferir na Petrobras. Há um conjunto de preceitos e ritos. O primeiro é que o presidente da República não tem autoridade nenhuma para ele pessoalmente nomear ninguém. A Petrobras é uma sociedade anônima de capital aberto, com ações em bolsas, a autoridade suprema é a assembleia geral que representa os acionistas", explica.

"Ela escolhe o conselho de administração e dentre os membros um vai ser indicado a presidente. Quando no meio do mandato o presidente sai, o conselho nomeia o novo membro que poderá ser o presidente. Esse ritual foi totalmente desobedecido pelo anúncio do presidente, representa uma desconsideração total do papel institucional do conselho", critica.

O ex-diretor da Petrobras Ildo Sauer (19.fev.2021)
Foto: Reprodução/CNN

Ele conta que os eleitos também são submetidos a um período em que os membros do conselho podem avaliar e levar questões. "Isso foi completamente desconsiderado. Não é uma questão com o general Luna, mas as normas de governança não foram cumpridas. Aparentemente é um ataque direto, não se sabe o que vai acontecer daqui para a frente". 

Sauer aponta quais seriam os interesses na ação. "Tudo isso me parece vinculado ao conflito dos preços do petróleo. Há um discurso defendido pelo (ministro da Economia) Paulo Guedes que é a hegemonia absoluta dos interesses dos acionistas, uma mobilização política forte em torno de vários derivados como diesel, GLP e gasolina".