Dólar e Ibovespa fecham em alta com incertezas políticas e exterior no radar

Investidores olham para a promulgação da PEC Emergencial e reunião do Copom, que deve aumentar a Selic

Matheus Prado e Leonardo Guimarães, do CNN Brasil Business, em São Paulo*
15 de março de 2021 às 09:18 | Atualizado 15 de março de 2021 às 17:32
Notas de dólar
notas de dólar
Foto: Chance Agrella/Freerange Stock

O dólar começou a semana em alta ante o real. A cotação negociada no mercado à vista fechou em alta de 1,42%, a R$ 5,6383 na venda, depois de variar entre R$ 5,6576 (+1,77%) e R$ 5,5319 (-0,49%).

Na B3, o Ibovespa começou a semana em alta. O índice operava em baixa pela manhã, mas inverteu o movimento com a promulgação da PEC Emergencial, que autoriza a liberação do auxílio emergencial para a população vulnerável em meio à crise econônomica e sanitária. 

O principal índice acionário do Brasil fechou o dia em alta de 0,6%, para 114.850 pontos. O movimento da bolsa foi ajudado por um novo dia de recordes nos Estados Unidos. 

As ações da Eletrobras (ELET3) estão entre os destaques do dia, com avanço de 3,5% antes da apresentação de resultados do quarto trimestre de 2020, que deve mostrar números fortes. 

No radar dos investidores, está uma possível mudança no comando do Ministério da Saúde e a reunião do Copom, com amplas expectativas de elevação da taxa Selic.

No Boletim Focus, do Banco Central, o mercado financeiro elevou novamente as projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2021, que mede a inflação oficial do país.

A estimativa é de que a inflação deste ano fique em 4,60%, ante 3,98% esperado na semana passada. Essa foi a décima alta consecutiva na previsão para o índice, que há um mês estava em 3,62%.   

Já o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), considerado uma "prévia" do PIB (Produto Interno Bruto), avançou 1,04% em janeiro na comparação com dezembro do ano passado, segundo dados divulgados pelo Banco Central.

O resultado ficou bem acima da expectativa em pesquisa da Reuters, de avanço de 0,40%.

Lá fora

Wall Street subiu nesta segunda-feira, com o índice S&P 500 fechando em uma máxima recorde, conforme investidores aguardam sinais do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) nesta semana em meio à cautela sobre aumentos nos custos de empréstimos estimulados por um grande estímulo fiscal.

O Dow Jones subiu 0,53%, aos 32.953 pontos, o S&P 500 valorizou-se 0,65%, aos 3.968 pontos, e o Nasdaq teve alta de 1,05%, aos 13.459 pontos. 

As ações europeias fecharam estáveis nesta segunda-feira, com as os setores financeiro e de mineração liderando as quedas, enquanto os ganhos na empresa de apostas Flutter Entertainment e o otimismo em torno de uma forte recuperação econômica ajudaram a limitar as perdas.

O índice FTSEurofirst 300 caiu 0,01%, a 1.630 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600, aproximando-se de um pico recorde estabelecido no ano passado, com os setores de viagens e lazer, montadoras e alimentos e bebidas entre os principais ganhadores.

As bolsas da Ásia e do Pacífico fecharam sem direção única nesta segunda-feira (15), após a publicação de indicadores mistos da China. O índice acionário japonês Nikkei subiu 0,17% em Tóquio hoje, a 29.766,97 pontos, e o Hang Seng avançou 0,33% em Hong Kong, a 28.833,76 pontos, enquanto o sul-coreano Kospi recuou 0,28% em Seul, a 3.045,71 pontos, e o Taiex pouco se alterou em Taiwan, mostrando baixa marginal de 0,04%, a 16.249,33 pontos.

Na China continental, os mercados ficaram no vermelho, à medida que setores recentemente favorecidos por fundos mútuos, como os de chips e de bebidas alcoólicas, caíram fortemente. O Xangai Composto teve baixa de 0,96%, a 3.419,95 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto sofreu queda mais expressiva, de 2,13%, a 2.172,94 pontos.

No primeiro bimestre, tanto a produção industrial quanto as vendas no varejo da China subiram mais do que o esperado, com ganhos de mais de 30% em relação a igual período do ano passado. No entanto, o banco holandês ING aponta em relatório que os saltos se devem a uma base de comparação muito fraca, visto que a economia chinesa estava sob o efeito de lockdowns causados pela pandemia de Covid-19 nos primeiros meses de 2020.

Além disso, os investimentos em ativos fixos na China também cresceram mais de 30% no mesmo intervalo, mas ficaram aquém das expectativas, e a taxa de desemprego subiu para 5,5% em fevereiro, ante 5,2% em dezembro, possivelmente afetada por surtos de casos de coronavírus em algumas áreas, segundo analistas.

Na Oceania, a bolsa da Austrália garantiu leve alta hoje, sustentada por ganhos nos setores de energia, saúde e financeiro. O S&P/ASX 200 avançou 0,09% em Sydney, a 6.773,00 pontos.

Investidores da Ásia e do Pacífico também aguardam a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que será anunciada na quarta-feira (17). Há expectativa de que o Fed eleve sua projeção de crescimento dos EUA este ano, diante da recente aprovação de um novo pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão. 

*Com informações de Reuters e Estadão Conteúdo