RJ perdeu mais de um milhão de postos de trabalho em um ano

Entre empregos com carteira assinada, a redução foi de quase 500 mil vagas

Stéfano Salles, da CNN Brasil, no Rio de Janeiro
15 de março de 2021 às 13:50 | Atualizado 15 de março de 2021 às 14:50
Comércio do Rio
Comércio do Rio tem movimento fraco
Foto: Cleber Rodrigues/CNN

Mais de um milhão de pessoas perderam seus postos de trabalho no estado do Rio de Janeiro no intervalo de um ano, entre o quarto trimestre de 2019 e o mesmo período de 2020. A informação foi levantada pela Assessoria Fiscal da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), com base em dados da Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio (PNAD Contínua) do IBGE. 

Foram 1,056 milhão de postos de trabalho a menos. Em números absolutos, esse total só fica atrás de São Paulo, que perdeu 2,4 milhões. Considerando apenas o número de empregos em carteira assinada, a redução foi de 495 mil.

No geral, o Rio de Janeiro soma mais que o dobro das perdas dos estados do Centro-Oeste (525 mil), e é superior que o somatório dos três estados do Sul, que perderam 983 mil postos. 

Desemprego

No Rio de Janeiro, a taxa de desempregado está em 17,4%. Quase quatro pontos percentuais superior à média nacional, que fechou 2020 em 13,5%, e quase três vezes maior que a de Santa Catarina, de 6,1%.

Os dados da Pnad Contínua não são detalhados por setor econômico. O economista e diretor da Assessoria Fiscal da Alerj Mauro Osório entende que a pandemia de Covid-19 agravou um cenário ruim há décadas. 

"O estado do Rio vem de uma crise desde os anos 60. Desde então, é a economia que menos cresce no país. E, a partir de 2015, o Rio fica mais frágil, por conta dos efeitos da Operação Lava-Jato, o prolongamento da crise da Petrobras, e a queda do preço do barril de petróleo brent no mercado internacional. Isso tudo contribui para que a gente continue afundando", avalia Osório.

Neste cenário, o economista entende que o auxílio emergencial que será pago mensalmente pelo governo do estado até dezembro trará um alívio. No entanto, a reversão do quadro, para o especialista, passa pela consolidação e pelo aprofundamento de dois sistemas produtivos.  

"Além do setor de petróleo e gás, que oferece ao Rio um manancial de oportunidades, nós temos o Complexo Econômico-Industrial da Saúde, impulsionado pela futura fábrica de vacinas da Fiocruz, na Zona Oeste.  A pandemia ensina que precisamos ter boa parte da produção do setor feita aqui. Para reduzir a dependência externa e desenvolver nossa indústria", disse o economista. 

Em fevereiro, o Ministério da Saúde abriu a licitação para a construção da fábrica, um investimento de R$ 6 bilhões, somadas as estimativas previstas para os setores público e privado. Ela ficará no Distrito Industrial de Santa Cruz. A projeção é que a unidade aumente entre quatro e cinco vezes a capacidade da fundação de produzir imunizantes, hoje feitos no Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (BioManguinhos/Fiocruz).