Ações do Banco do Brasil têm queda após saída de André Brandão

Henrique Esteter, da Guide, acredita que a renúncia de Brandão é sim negativa para os papéis da empresa, mas entende que o movimento já era esperado

Matheus Prado e Natália Flach, do CNN Brasil Business, em São Paulo
19 de março de 2021 às 11:03 | Atualizado 19 de março de 2021 às 11:56
O novo presidente do Banco do Brasil, André Brandão
O novo presidente do Banco do Brasil, André Brandão
Foto: Alan Santos/PR (22.set.2020)

Os papéis do Banco do Brasil listados na B3 registravam queda de 0,79% às 10h56 desta sexta-feira (19), um dia após a saída de André Brandão da presidência do banco estatal ser confirmada pelo governo. Nos primeiros negócios do dia, a ação do BB chegou até a subir cerca de 1%, mostrando que o mercado não se assustou muito com a mudança. 

"Não há nenhum tipo de surpresa com a saída de André Brandão, por isso não gera nenhum grande fluxo vendedor como foi na saída Roberto Castello Branco da Petrobras. O mercado já havia precificado a sua saída em pregões anteriores", diz Victor Lima, analista da Toro Investimentos.

Henrique Esteter, da Guide Investimentos, acredita que a renúncia de Brandão é sim negativa para os papéis da empresa, mas corrobora que o movimento já era esperado pelo mercado. Em comunicação com os seus investidores, a Genial afirma que "com o plano de corte de custos em curso, o mais importante será observar sua continuidade na nova gestão".

Fernando Barbará, gestor de renda variável do Andbank Brasil, afirma que a escolha do novo mandatário também ajuda a acalmar os investidores. "O indicado para vaga é uma pessoa técnica, com ampla experiência e sem um viés político", diz. "Além disso, o segmento bancário se favorece de um cenário de juros mais alto. Por isso as ações dos bancos performaram bem nos últimos dias."

Saída

O então presidente do Banco do Brasil, André Brandão, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (18). A saída do executivo acontecerá no dia 1º de abril, apenas seis meses após ter assumido o comando da instituição, de acordo com fato relevante publicado na Comissão de Valores Mobiliários. 

Segundo o documento, Brandão entregou a renúncia ao presidente Jair Bolsonaro, ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e ao presidente do conselho do BB, Hélio Lima Magalhães.

O nome escolhido pelo governo para substituir Brandão no cargo é Fausto de Andrade Ribeiro, presidente da BB Administradora de Consórcios desde setembro de 2020.

As conversas sobre a possível saída de Brandão começaram pouco depois de Bolsonaro anunciar, em suas redes sociais, que haveria troca no comando da Petrobras, com a saída de Roberto Castello Branco para entrada do general Joaquim Luna e Silva. Na ocasião, o presidente disse “semana que vem tem mais”.

Brandão chegou a reclamar com Guedes de que estaria sem condições para trabalhar diante das especulações sobre sua saída do cargo. Por causa do rumor de mercado, as ações do banco recuaram 5% no dia 26 de fevereiro.

Em janeiro, Bolsonaro já teria tentado demitir Brandão, depois que o BB anunciou um plano de economia que incluía o fechamento de 361 agências e cerca de 5 mil demissões voluntárias.