Para conselheiro da Petrobras, o provável novo CEO não preenche os requisitos

Marcelo Mesquita disse que se a eleição fosse apenas para conselheiro da Petrobras, não faria oposição

Denise Luna, do Estadão Conteúdo
26 de março de 2021 às 10:04 | Atualizado 26 de março de 2021 às 11:10
Edifício-sede da Petrobras, no Rio de Janeiro (RJ) 22/02/2021
Foto: REUTERS/Ricardo Moraes

Na condição de convidado sem direito a voto na reunião do último dia 16 do Conselho de Pessoas (Cope) da Petrobras, o conselheiro Marcelo Mesquita afirmou ser contrário à eleição do general Joaquim Silva e Luna para uma vaga no Conselho de Administração da estatal, já que significaria posterior condução do militar ao cargo de presidente, segundo ata da reunião.

Apesar de não votarem, tanto Mesquita como o conselheiro Leonardo Antonelli, que também não votou, possuem o voto de qualidade em caso de empate.

Segundo Mesquita, o Cope não deveria se limitar a uma análise burocrática do currículo do indicado (Silva e Luna), mas se valendo de análises de integridade e de capacitação e gestão.

 

O executivo fez referência à contratação pela Eletrobras de uma consultoria para escolher o novo presidente - o que foi descartado após indicação direta da União nesta quinta-feira, 25 -, afirmando que este seria o melhor caminho a seguir para a indicação do presidente "da maior empresa do hemisfério sul".

Ainda na ata, Mesquita destacou que se a eleição fosse apenas para conselheiro da Petrobras, não faria oposição. Para presidente, porém, o executivo afirmou que "o indicado não preencheria as condições suficientes para o exercício do cargo".

Apesar da declaração de Mesquita, os membros do Cope votaram favoravelmente à eleição de Silva e Luna para o Conselho de Administração da empresa, o que o torna elegível ao cargo de presidente da Petrobras, e que deverá ser confirmado na próxima Assembleia Geral dos Acionistas (AGE), marcada para o da 12 de abril. O Cope é presidido pelo conselheiro da Petrobras, Ruy Flaks Schneider.

Joaquim Luna é general da reserva do Exército e ocupava a presidência da usina de Itaipu. Antes, ocupou o cargo de ministro da Defesa no governo do ex-presidente Michel Temer. Ele foi o primeiro militar a sentar na cadeira do Ministério, criado em 1999.