Desemprego no Brasil fica em 14,2% e atinge 14,3 milhões de pessoas, diz IBGE

Embora a taxa de desocupação tenha ficado estável frente ao trimestre anterior, é a mais alta para um trimestre até janeiro

Thâmara Kaoru, do CNN Brasil Business, em São Paulo*
31 de março de 2021 às 09:04 | Atualizado 31 de março de 2021 às 10:52

A taxa de desemprego no Brasil ficou em 14,2% de novembro de 2020 a janeiro deste ano e atingiu 14,3 milhões de pessoas, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (31). Os dados são da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua).

Segundo o instituto, embora a taxa de desocupação tenha ficado estável frente ao trimestre de agosto a outubro de 2020 (14,3%), é a mais alta taxa para um trimestre até janeiro. 

Já o número de pessoas ocupadas subiu 2% e chegou a 86 milhões. Isso representa 1,7 milhão de pessoas a mais no mercado de trabalho em relação ao trimestre encerrado em outubro.

"Apesar de perder força em relação ao crescimento observado no trimestre encerrado em outubro, a expansão de 2% na população ocupada é a maior para um trimestre encerrado em janeiro. Esse crescimento ainda tem influência do fim de ano, já que novembro e dezembro foram meses de crescimentos importantes"

Adriana Beringuy, analista da pesquisa

 

A maior parte desse aumento na ocupação veio da população informal. O número de empregados sem carteira assinada no setor privado subiu 3,6% em relação ao trimestre anterior, o que representa um aumento de 339 mil pessoas, informou o IBGE. Os trabalhadores por conta própria sem CNPJ aumentaram em 4,8%, totalizando 826 mil pessoas a mais. 

“O trabalhador por conta própria e o empregado no setor privado sem carteira permanecem sendo aqueles que estão contribuindo mais para o crescimento da ocupação no país”, diz a pesquisadora. 

Trabalhadores com carteira assinada

Os trabalhadores do setor privado com carteira de trabalho assinada e os empregadores foram duas categorias que mantiveram estabilidade frente ao trimestre encerrado em outubro.

Mas na comparação com o mesmo período do ano anterior, o cenário é de queda. São 3,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada a menos no setor privado. Já a queda no número de empregadores foi de 548 mil pessoas.

Carteira de Trabalho e Previdência Social
Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

No caso dos desalentados, grupo de pessoas que não buscaram trabalho, mas que gostariam de conseguir uma vaga e estavam disponíveis para trabalhar, após uma variação de 2,3%, o que representa estabilidade frente ao trimestre anterior, eles foram estimados em 5,9 milhões de pessoas, o maior número desde o início da série histórica da pesquisa, em 2012.

Em relação ao mesmo período do ano anterior, quando havia no Brasil 4,7 milhões de pessoas desalentadas, houve um acréscimo de 25,6%. São 1,2 milhão de pessoas a mais nessa situação.

Rendimento médio

Entre novembro e janeiro, o rendimento médio real dos trabalhadores foi de R$ 2.521 contra os R$ 2.597 registrados entre agosto e outubro do ano passado, uma queda de 2,9%.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, houve estabilidade. 

*Com Reuters