À espera de pacote de ajuda nos EUA, dólar cai a R$ 5,63 e bolsa recua 0,18%

Internamente, a trama política doméstica após mudanças nas Forças Armadas e em vários ministérios continua em destaque

Matheus Prado, do CNN Brasil Business, em São Paulo*
31 de março de 2021 às 09:17 | Atualizado 31 de março de 2021 às 19:35

O dólar encerrou esta quarta-feira (31) em forte queda, de 2,2%, e fechou o dia cotado a R$ 5,63, depois de ter passado a semana inteira acima dos R$ 5,70. Com isso, a moeda norte-americana encerra o mês de março com uma alta acumulada de 0,5%, depois ter chegado perto dos R$ 5,80 no dia 8. Desde o início do ano, a alta do dólar em relação ao real é de 8,45%.

Na B3, o Ibovespa teve um dia de poucas variações. O principal índice acionário da bolsa de valores brasileira encerrou o pregão em queda de 0,18%, a 116.633 pontos.

O final de trimestre, que costuma ser de ajustes no mercado, está sendo protagonizado pela trama política doméstica após mudanças nas Forças Armadas e em vários ministérios, com os investidores acompanhando com cautela as perspectivas fiscais para o Brasil.

Globalmente, os mercados reagem ao novo pacote trilionário anunciado pelo governo americano.  Ao todo, US$ 4 trilhões devem ser despejados na economia em duas etapas.

Na primeira leva, cerca de US$ 2,25 tri devem ser aportados em infraestrutura, enquanto o restante viria para ajudar as famílias americanas no setor de saúde. No entanto, investidores temem que as medidas possam gerar um processo inflacionário em todo o mundo.

Bolsa de Valores, Ações, Investimentos
Foto: Vecteezy

 

Lá fora

Nos Estados Unidos, as ações de tecnologia ajudaram os três principais índices de Wall Street nesta quarta-feira, com os investidores aguardando os detalhes sobre o plano de infraestruetura do presidente Joe Biden.

Segundo dados preliminares, o Dow Jones teve variação negativa de 0,02%, aos 33.060,87 pontos, o S&P 500 valorizou-se 0,57%, aos 3.981,13 pontos, e o Nasdaq teve alta de 1,69%, aos 13.265,85 pontos.

As ações europeias ficaram estáveis ??nesta quarta-feira, com um tombo de 30% para a empresa de entregas Deliveroo em sua estreia em Londres tirando o brilho da quarta alta trimestral consecutiva para o índice referencial STOXX 600.

O índice pan-europeu STOXX 600 caiu 0,1% nesta sessão, para 430,1 pontos --ainda abaixo de seu pico pré-pandemia, de 433,9 pontos. O referencial encerrou março com alta de 6,4% e o primeiro trimestre com valorização de 8%.

As bolsas asiáticas fecharam em baixa nesta quarta-feira (31), acompanhando o tom negativo dos mercados acionários de Nova York e ainda sentindo os efeitos do colapso de um grande fundo de investimento dos EUA.

O índice japonês Nikkei caiu 0,86% em Tóquio hoje, a 29.178,80 pontos, enquanto o Hang Seng recuou 0,70% em Hong Kong, a 28.378,35 pontos, o sul-coreano Kospi se desvalorizou 0,28% em Seul, a 3.061,42 pontos, e o Taiex registrou perda de 0,75% em Taiwan, a 16.431,13 pontos.

Na China continental, o Xangai Composto teve baixa de 0,43%, a 3.441,91 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto recuou 0,52%, a 2.217,62 pontos.

Na terça-feira, as bolsas de Nova York tiveram perdas generalizadas, pressionadas por um novo aumento nos juros dos Treasuries. Nas últimas semanas, os rendimentos dos Treasuries vêm atingido picos que refletem expectativas de pressão inflacionária e de recuperação econômica dos EUA, fatores que podem levar o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) a voltar a apertar sua política monetária antes do previsto.

No mercado japonês, as ações do setor financeiro lideraram as perdas nesta quarta. Em seu terceiro pregão negativo, a Nomura Holdings caiu 2,94% e o Mitsubishi UFJ Financial Group recuou 3,87%.

Nos últimos dias, tanto a Nomura quanto o Mitsubishi avisaram que poderão sofrer significativos prejuízos por causa de transações com um cliente não identificado dos EUA. Os alertas, também feitos pelo Credit Suisse, vieram após o fundo de investimento americano Archegos Capital Management ser obrigado a liquidar cerca de US$ 30 bilhões em blocos de ações na semana passada.

O mau humor prevaleceu na Ásia apesar de dados mostrarem que a manufatura na China está se recuperando em ritmo mais forte do que o esperado dos efeitos da pandemia de Covid-19. O índice de gerentes de compras (PMI) oficial da indústria chinesa subiu de 50,6 em fevereiro para 51,9 em março, superando as expectativas.

Na Oceania, a bolsa da Austrália contrariou o viés negativo dos mercados asiáticos e fechou no azul, ajudada por expectativas de que o lockdown por covid-19 decretado em Brisbane, terceira maior cidade do país, seja suspenso em breve. O S&P/ASX 200 avançou 0,78% em Sydney, a 6.790,70 pontos. 

*Com informações de Reuters e Estadão Conteúdo