Entenda como ficam os preços dos combustíveis após mais uma alta nas refinarias

Os preços da gasolina e do diesel subiram pela sétima vez desde janeiro no dia 16 de abril. Nesse ritmo, o que esperar dos valores no fim do ano?

Thaís Herédia, da CNN, em São Paulo 
16 de abril de 2021 às 16:55 | Atualizado 23 de abril de 2021 às 15:39

Na sexta-feira (16), os combustíveis ficam um pouco mais caros nas refinarias, segundo anúncio feito no dia 15 de abril pela Petrobras. O valor médio da gasolina aumenta 1,9%, para R$ 2,64 por litro, e o do diesel, 3,7%, para R$ 2,76 por litro. Trata-se do sétimo reajuste anunciado pela estatal desde janeiro. Nesse ritmo, o que esperar dos valores até o fim do ano? 

Na opinião da comentarista da CNN Thais Herédia, o novo presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, pode ter um momento de calmaria ou de reajustes menores daqui em diante, pelo menos em relação aos preços do petróleo, que ajudam a determinar os valores dos combustíveis no país. “O preço do petróleo vem estável nas últimas semanas. A não ser que aconteça algo fora do cenário, ele não deve alcançar valores muito mais altos”, diz. 

 

Vale ressaltar que, além da cotação internacional da commodity, o comportamento do dólar em relação ao real é outro componente que pode mexer com os preços dos combustíveis. “O dólar certamente vai ser um preço que vai mexer mais”, diz Herédia.

Os combustíveis vêm tendo vários reajustes no Brasil, porque, além do fato de o dólar aqui estar valorizado -- refletindo incertezas em relação à política interna e à forma errática como a pandemia vem sendo enfrentada --, o petróleo teve uma grande correção de valores. 

“O preço dos combustíveis está muito ligado ao dólar e ao preço do petróleo. O ano passado foi atípico, porque, pela primeira vez na história recente, o preço do petróleo ficou negativo. Por isso, houve queda no preço dos combustíveis no ano passado. Neste ano, no entanto, houve uma recuperação muito forte dos preços do petróleo, respondendo à retomada da economia internacional”, explica. 

Para tentar amenizar a alta dos combustíveis e o impacto que têm na inflação ao consumidor, já pressionada no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro decidiu zerar os impostos federais Pis e Cofins que incidem sobre o diesel recentemente. O movimento, no entanto, não teve impacto nos preços finais e nem deve ter, na opinião de Herédia. 

“Mexer com impostos no Brasil tem muito mais a ver com os custos de produzir, distribuir e fazer negócios no país. Por isso que não cai o preço do combustível”, diz. 

Posto de combustíveis no Rio de Janeiro (RJ) 05/03/2021
Posto de combustíveis no Rio de Janeiro (RJ) 05/03/2021
Foto: REUTERS/Ricardo Moraes