À espera de mais aumento de juros, dólar cai a R$ 5,36 e Ibovespa sobe 1,6%

Banco Central anuncia nova revisão da taxa Selic nesta quarta-feira (5) e expectativa é por mais um aumento forte

Matheus Prado, do CNN Brasil Business, em São Paulo*
05 de maio de 2021 às 09:16 | Atualizado 05 de maio de 2021 às 17:56
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Foto: CNN

A expectativa por um novo aumento expressivo na Selic, a taxa básica de juros brasileira, a ser anunciado na noite desta quarta-feira (5), ajudou o dólar a perder força e a moeda encerrou o dia em queda de 1,23%, cotada a R$ 5,365. 

Na B3, o Ibovespa teve um dia positivo, impulsionado por um dia de otimismo e recordes nas bolsas americanas, e encerrou o pregão em alta de 1,57%, a 119.564 pontos. As grandes siderúrgicas lideraram os ganhos, com destaque para a Gerdau (GGBR4), que subiu 5,5%.

Internamente, o mercado segue de olho na tramitação da reforma tributária, na reunião do Banco Central que definirá a Selic e na CPI da Pandemia.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC encerra nesta quarta-feira sua reunião de dois dias, com ampla expectativa dos mercados de que ao final dela a taxa Selic será elevada a 3,5%, ante patamar atual de 2,75%. 

Em sua última decisão de juros, o Banco Central já havia elevado a Selic a taxa em 0,75 ponto, ante a mínima histórica de 2% em que estava. Há entre os investidores a visão de que a autarquia busca esfriar as pressões sobre os preços este ano e impedir que as expectativas de inflação para 2022 subam.

Nos dados macroeconômicos, a produção industrial brasileira registrou queda de 2,4% em março na comparação com o mês anterior, divulgou o IBGE nesta quarta. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção subiu 10,5%.

Globalmente, as principais bolsas e índices tiveram um dia de recuperação após perdas no setor de tecnologia. A criação de vagas de trabalho no setor privado dos Estados Unidos aumentou em abril, com as empresas correndo para aumentar a produção em meio a um aumento da demanda, sugerindo que a economia ganhou ainda mais impulso no início do segundo trimestre.

Dow Jones bate recorde e Nasdaq cai

Em Wall Street, o índice Dow Jones encerrou em uma máxima recorde nesta quarta-feira, com impulso dos setores de energia e de materiais básicos. Já a Nasdaq, concentrada principalmente nas empresas de tecnologia, abandonou os ganhos de mais cedo e fechou em queda.

O Dow Jones subiu 0,29%, aos 34.230 pontos; o S&P 500 teve variação positiva de 0,07%, aos 4.167 pontos; e o Nasdaq recuou 0,37%, aos 13.582 pontos.

As bolsas europeias registraram seu melhor dia em quase dois meses nesta quarta-feira, recuperando-se de uma forte onda de vendas na sessão anterior. As ações de recursos básicos atingiram a máxima em dez anos, enquanto dados mostraram que a atividade empresarial da zona do euro avançou em abril. As ações de tecnologia subiram 2,7%, após uma queda de 3,7% na sessão anterior.

O índice FTSEurofirst 300 subiu 1,9%, a 1.700 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 ganhou 1,82%, a 442 pontos, depois de perdas de 1,4% registradas na terça-feira.

As bolsas asiáticas terminaram os negócios desta quarta-feira (5) em baixa, em meio a feriados que mantiveram os mercados do Japão e da China fechados pelo terceiro dia consecutivo. Na Coreia do Sul, também não houve pregão hoje em função de um feriado local.

O índice Hang Seng caiu 0,49% em Hong Kong, a 28.417,98 pontos, e o Taiex recuou 0,53% em Taiwan, a 16.843,44 pontos, ampliando perdas recentes diante de um novo surto de Covid-19 na ilha.

A aversão a risco na Ásia veio também após o tom predominantemente negativo das bolsas de Nova York ontem, com perdas lideradas pelo setor de tecnologia.

Na Oceania, a bolsa australiana tomou o rumo oposto das asiáticas e ficou no azul nesta quarta, impulsionada por 16 das 20 maiores empresas em valor de mercado listadas em Sydney. O S&P/ASX 200 avançou 0,39%, a 7.095,80 pontos. 

*Com informações de Reuters e Estadão Conteúdo