Commodities perdem força e Ibovespa fecha em queda; dólar tem leve alta

Globalmente, investidores estão de olho nas perspectivas para a política monetária dos Estados Unidos e seu impacto nos mercados de câmbio ao redor do globo

Matheus Prado e Leonardo Guimarães, do CNN Brasil Business, em São Paulo*
10 de maio de 2021 às 09:17 | Atualizado 10 de maio de 2021 às 17:19
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Foto: CNN

O dólar fechou com ligeira alta de 0,10%, para R$ 5,233, nesta segunda-feira (10) e se manteve perto das mínimas em quatro meses com operadores mantendo posições num dia sem grandes catalisadores para o mercado.

Na B3, o Ibovespa recuou depois que um rali de commodities perdeu força ao longo do dia. O índice caiu 0,11%, para 121.909 pontos. 

A Vale (VALE3) caiu 0,66% depois de chegar a avançar 3,5% e alcançar o recorde intradia de R$ 120,45. Depois que os futuros do aço e do minério de ferro de referência na China tocaram máximas históricas nesta segunda-feira, os preços recuaram. 

Já a Usiminas (USIM5) ganhou 1%, embalada pelo ambiente favorável a preços de metais no exterior, enquanto, no Brasil, permanece um cenário positivo para demanda e reajuste de preços. CSN (CSNA3) teve elevação de 0,2% e Gerdau (GGBR4) perdeu 0,1%.

Petrobras (PETR3) avançou 1,25%. A companhia divulgou nesta segunda-feira que assinou contrato com a Keppel Shipyard Limited para a construção da P-78 no campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos.

Globalmente, investidores estão de olho nas perspectivas para a política monetária dos Estados Unidos e seu impacto nos mercados de câmbio ao redor do globo.

Internamente, o mercado segue de olho em Brasília, com o desenrolar da CPI da Pandemia e a revelação, pelo jornal Estado de S. Paulo, de um suposto "orçamento paralelo" criado pelo Executivo para liberação de verbas para parlamentares que apoiam o governo.

No Boletim Focus, o mercado financeiro voltou a elevar a expectativa para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Na terceira alta consecutiva, a previsão passou de crescimento de 3,14% para 3,21%. Há um mês, era esperada alta de 3,09%.

A previsão para a inflação de 2021 também subiu levemente, para 5,06%. Há um mês, a projeção para para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estava em 4,85%. Apesar de ainda dentro do limite superior da meta inflacionária, a expectativa já está no mesmo patamar do teto de 5,25%. 

Lá fora

Wall Street encerrou em queda nesta segunda-feira, com temores relacionados à inflação afastando investidores das ações de crescimento líderes de mercado em favor das ações cíclicas, que devem se beneficiar mais com a reabertura da economia.

As ações dos segmentos de indústria e saúde limitaram a queda do Dow Jones, mas o índice reverteu a trajetória ao fim da sessão para interromper uma sequência de três dias de máximas recordes de fechamento.

O Dow Jones recuou 0,1%, aos 34.742 pontos, o S&P 500 desvalorizou-se 1,04%, aos 4.188 pontos, e o Nasdaq teve queda de 2,55%, aos 13.401 pontos.

"Muitos dos temores de inflação são exagerados", disse Scott Brown, economista-chefe da Raymond James. "Há uma grande diferença entre o preço das commodities e a inflação no nível do consumidor. Geralmente é necessário um aumento gigantesco nos preços das matérias-primas para ter um efeito mínimo no índice de preços ao consumidor."

As bolsas da Ásia e do Pacífico fecharam majoritariamente em alta nesta segunda-feira (10) seguindo o tom positivo de Wall Street na sexta-feira (7), quando dados mais fracos do que o esperado do mercado de trabalho dos EUA sinalizaram que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) manterá seus estímulos monetários.

O índice acionário japonês Nikkei subiu 0,55% em Tóquio hoje, a 29.518,34 pontos, impulsionado por ações de siderúrgicas e montadoras, enquanto o sul-coreano Kospi avançou 1,63% em Seul, ao nível recorde de 3.249,30 pontos, ajudado por papéis de varejistas e companhias aéreas. Em discurso televisionado, o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, disse que seu governo fará o possível para que o Produto Interno Bruto (PIB) local cresça mais de 4% este ano.

O dia foi de ganhos também na China continental, cujos mercados haviam acumulado perdas nos dois pregões anteriores, depois de voltarem de um longo feriado nacional. O Xangai Composto teve alta de 0,27%, a 3.427,99 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto se valorizou 0,19%, a 2.243,93 pontos.

Por outro lado, o Hang Seng apresentou perda marginal de 0,05% em Hong Kong, a 28.595,66 pontos, e o Taiex caiu 0,29% em Taiwan, a 17.235,61 pontos.

Em Nova York, as bolsas tiveram ganhos generalizados na sexta-feira, após a fraqueza do último relatório de emprego dos EUA - o chamado "payroll" - sustentar a avaliação de que o Fed, como é conhecido o BC americano, irá manter juros próximos de zero e outros agressivos instrumentos de estímulo monetário por muito tempo ainda.

A questão da Covid-19, no entanto, permanece no radar. Nas últimas semanas, a Índia tem registrado sucessivos recordes de contágios e mortes em 24 horas. O Japão, por sua vez, será anfitriã dos Jogos Olímpicos a partir de julho, num momento em que a vacinação contra a doença no país está em ritmo extremamente lento, com apenas cerca de 3% da população inoculada.

Na Oceania, a bolsa australiana terminou a sessão em patamar recorde, o primeiro desde o início da pandemia, graças principalmente ao bom desempenho do setor minerador, que é favorecido por um salto nos preços do minério de ferro. O S&P/ASX 200 avançou 1,3% em Sydney, a 7.172,80 pontos.

*Com Reuters e Estadão Conteúdo