Alibaba amarga prejuízo apesar da alta das vendas. Motivo: a multa de US$ 2,8 bi

O varejista online teve prejuízo de cerca de US$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre, principalmente devido à multa de US$ 2,8 bilhões imposta por Pequim

Laura He e Paul R. La Monica, do CNN Business
13 de maio de 2021 às 10:40 | Atualizado 13 de maio de 2021 às 12:57
Alibaba
Fachada de prédio da Alibaba, maior provedora de nuvem de dados da Ásia (18.nov.2019)
Foto: Aly Song/Reuters

 

O varejista online Alibaba registrou prejuízo de cerca de US$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre, principalmente devido à multa de US$ 2,8 bilhões imposta por Pequim no início deste ano. Excluindo a penalidade, o lucro líquido cresceu 18%, para US$ 4 bilhões.

A receita cresceu 64% em relação ao ano anterior para US$ 28,6 bilhões, superando as previsões dos analistas. Isso é sinal de que a economia chinesa está se recuperando, após o recuo pela Covid-19 no ano passado.

O Alibaba também disse que espera que a receita para o próximo ano fiscal cresça cerca de 30% em relação ao ano fiscal de 2021.

Ainda assim, as ações do Alibaba caíram cerca de 3% no início do pregão de quinta-feira. Isso porque a receita em seu negócio de nuvem cresceu em um ritmo mais lento do que nos últimos trimestres.

Co-fundada pelo lendário empresário Jack Ma, o Alibaba é uma das empresas privadas mais proeminentes e bem-sucedidas da China. Mas as ações da empresa têm enfrentado dificuldades desde que Pequim começou a vigilância sobre os campeões de tecnologia do país no ano passado.

O presidente chinês, Xi Jinping, descreveu a repressão regulatória no setor de internet como uma das prioridades do país para 2021 e tem como objetivo "manter a estabilidade social".

O Alibaba tem sido um alvo particularmente notável. A multa foi estabelecida depois que os reguladores antitruste concluíram que a gigante das compras online se comportava como um monopólio.

No entanto, parece que o ambiente regulatório mais rígido não teve grande impacto nos principais negócios do Alibaba.

A empresa disse na quinta-feira (13) que encerrou o trimestre com 925 milhões de usuários ativos móveis, um aumento de 23 milhões em relação ao final de dezembro.

"Nosso negócio geral apresentou forte crescimento em uma base saudável", disse o presidente do Alibaba, Daniel Zhang, em um comunicado. "Continuamos muito entusiasmados com o crescimento da economia de consumo da China, que está se beneficiando da aceleração da digitalização em todos os aspectos da vida e do trabalho", acrescentou.

No entanto, a receita proveniente de serviços de nuvem (cloud) aumentou "só" 37% em relação ao ano anterior, uma taxa de crescimento impressionante, mas uma desaceleração em relação aos trimestres anteriores.

O Alibaba disse em seu relatório de resultados que isso se deveu a uma queda nas vendas para um cliente importante com uma grande presença fora da China, que decidiu parar de usar seus serviços. O Alibaba não revelou o nome do cliente.

O negócio de nuvem global é incrivelmente competitivo. O Alibaba não tem apenas que enfrentar o rival chinês Tencent, mas também a Amazon, a Microsoft e a Alphabet, dona do Google.