Waack: Fator político é o que mais prejudica formação de preço dos combustíveis

Quando a política começa a interferir na principal produtora de petróleo do país – como a Petrobras –, em geral, o resultado é desastroso

Da CNN, em São Paulo
19 de maio de 2021 às 09:12

No quadro CNN Poder desta quarta-feira (19), na CNN Rádio, William Waack analisa a troca de comando da Petrobras e os recentes aumentos de preço dos combustíveis no país.

“Eu duvido que tenha alguém que goste de aumento do preço do combustível. Mas tem o seguinte: a formação de preço de combustíveis em qualquer economia razoavelmente sofisticada depende de uma série de fatores e o que mais prejudica a formação desse preço é o fator político”, disse Waack.

Ele afirmou que comparações da atual situação da Petrobras com o que aconteceu na Venezuela, com países produtores de petróleo na África, no Oriente Médio, e na Argentina são imediatas.

“Quando o poder político começa a interferir na principal produtora de petróleo do país – estou falando da Petrobras – e começa a achar que a empresa não está fazendo o que a política precisa que seja feito, em geral, o resultado é desastroso”, afirmou Waack.

Para ele, é muito difícil – ou quase impossível – o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) convencer os mercados e os agentes econômicos que não está tentando mudar na Petrobras uma política de governança que tirou ela do buraco criado pela interferência política do PT, anos atrás.

“O quadro é perigoso, delicado. Essa governança da Petrobras veio depois da [Operação] Lava Jato, de corrupção, escândalo, de perdas bilionárias e prejuízos imensos ao país e aos acionistas. Já vi muita coisa se repetir. Tomara que esse não seja o caso.”