Economista-chefe do BCE rejeita tese de nova era de inflação

Ele argumenta que o mercado de trabalho levará anos para voltar ao nível anterior à crise

da Reuters
20 de maio de 2021 às 11:18 | Atualizado 20 de maio de 2021 às 11:19
Economista-chefe do BCE, Philip Lane
Foto: REUTERS/Gary He

O Banco Central Europeu (BCE) tem "muito trabalho a fazer" para elevar a inflação de volta a sua meta de 2% e a conversa do mercado sobre a rápida alta nos preços é equivocada, disse o economista-chefe do banco, Philip Lane, nesta quinta-feira.

A inflação da zona do euro está se aproximando de 2%, sua taxa mais rápida em anos, em função do apoio fiscal e a reversão da queda dos preços do petróleo no ano passado, o que levou alguns analistas a preverem uma nova era de inflação.

Mas Lane rejeitou essa narrativa, argumentando que o mercado de trabalho levará anos para voltar ao nível anterior à crise, os balanços das empresas estão esgotados e a recuperação econômica ainda depende do abundante apoio do banco central e do governo.

 

"Temos muito trabalho a fazer (para aumentar a inflação)", disse Lane em um evento online. "Essa narrativa de um novo ambiente de inflação, apenas atribuo muito pouco peso sobre isso."

"A ideia de que o mundo e a zona do euro têm uma espécie de ambiente para inflação persistente, eu simplesmente não vejo isso", acrescentou ele.

Lane acrescentou que um recente aumento em alguns preços devido a gargalos na produção "não foi inflação", mas apenas um desalinhamento temporário entre oferta e demanda.