Dólar recua e devolve parte do ganho da véspera; Ibovespa fecha em leve alta

Entre as movimentações de destaque no mercado acionário, estão as ações da Unidas, Localiza, Banco Inter e Eletrobras

Matheus Prado e Leonardo Guimarães, do CNN Brasil Business, em São Paulo*
20 de maio de 2021 às 09:16 | Atualizado 20 de maio de 2021 às 17:22
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Foto: CNN

O dólar fechou em queda nesta quinta-feira, seguindo o movimento de venda da moeda norte-americana no mundo e devolvendo boa parte dos ganhos da véspera, com as operações locais analisando ainda o noticiário sobre a agenda de reformas.

O dólar à vista caiu 0,77%, a R$ 5,2757. 

Na quarta-feira, a divisa havia subido 1,17%, a R$ 5,3167 na venda. No exterior, o índice do dólar recuava 0,5%, apagando todos os ganhos da véspera e voltando a rondar mínimas desde fevereiro.

Na B3, o Ibovespa teve pouca variação e fechou em alta de 0,05%, para 122.700 pontos.

Entre os maiores destaques, estão as ações da Unidas (LCAM3) e Localiza (RENT3), que subiram 5,12% e 4,53%, respectivamente, depois que o Cade avaliou a fusão entre as empresas como "complexa" e sugeriu aprofundar a análise do caso.

De acordo com o analista da Terra Investimentos Régis Chinchila, o mercado já estava receoso que fosse um caminho complicado e de concentração setorial.

"Investidores voltaram a comprar após sinal de novas diligências, de forma a 'aprofundar a análise do caso, bem como entender se tais preocupações causam efetivamente prejuízo à concorrência ou se algumas delas podem ser consideradas eficiências'", acrescentou, citando trecho do despacho do Cade.

As ações da Eletrobras (ELET3) recuaram 1,58%, em meio a movimentos de realização de lucros, após renovar máximas mais cedo, quando chegou a R$ 43,39 (+2%), com a aprovação na Câmara dos Deputados da MP que abre espaço para a privatização da elétrica. O texto segue ao Senado.

As units do Banco Inter (BIDI11) subiram 3,16%, após o banco digital firmar parceria com o Banco ABC Brasil para atuar conjuntamente no mercado de capitais brasileiro

Lá fora

Os principais índices de Wall Street recobraram fôlego nesta quinta-feira, após três dias de queda, impulsionados pelos ganhos em ações de tecnologia, uma vez que o menor número de pedidos semanais de auxílio-desemprego desde o início da recessão causada pela pandemia aumentou o apetite ao risco.

O Dow Jones ganhou 0,55%, aos 34.084 pontos, o S&P 500 avançou 1,06%, aos 4.159 pontos, e o Nasdaq teve alta de 1,77%, aos 13.535 pontos.

O bitcoin recuperava parte do terreno perdido, ficando próximo de US$ 40 mil um dia após uma brutal liquidação. A retomada da criptomoedas ajudou a renovar o apetite pelo risco. As ações da operadora de plataforma de negociação de criptomoedas Coinbase Global e das mineradoras Riot Blockchain e Marathon Digital Holdings valorizaram-se.

As ações europeias subiram nesta quinta-feira, um dia após uma das piores liquidações deste ano, com fortes balanços e notícias de fusão no setor de chips ajudando investidores a superar preocupações com a inflação.

O índice FTSEurofirst 300 subiu 1,34%, a 1.704 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 ganhou 1,27%, a 442 pontos, após cair 1,5% na sessão anterior.

As ações de tecnologia saltaram 2,7%, liderando os ganhos setoriais.

A fabricante de chips listada em Oslo Nordic Semiconductor disparou 9,8%, maior alta do STOXX 600, após um jornal italiano informar que a rival franco-italiana STMicroelectronics está ponderando oferta para comprar a empresa.

Mas o diretor financeiro da Nordic Semiconductor disse que a companhia, listada em Oslo, "não tinha conhecimento" de qualquer interesse de aquisição pela STMicroelectronics.

As bolsas da Ásia e do Pacífico fecharam sem direção única nesta quinta-feira (20) após o Japão divulgar robustos dados de exportação, sinalizando recuperação da pandemia de Covid-19, e de a China deixar seus juros básicos inalterados pelo 13º mês consecutivo.

Em Tóquio, o índice acionário japonês Nikkei subiu 0,19%, a 28.098,25 pontos, graças ao bom desempenho do setor de eletrônicos. Em abril, as exportações do Japão deram salto anual de 38%, impulsionadas pela demanda dos EUA e da China, segundo dados do Ministério de Finanças do país.

Já os mercados de Hong Kong e da Coreia do Sul, que voltaram de feriados, ficaram no vermelho. O Hang Seng caiu 0,50% em Hong Kong, a 28.450,29 pontos, e o sul-coreano Kospi recuou 0,34% em Seul, a 3.162,28 pontos.

Na China continental, o Xangai Composto teve leve baixa de 0,11%, a 3.506,94 pontos, mas o menos abrangente Shenzhen Composto apresentou ligeiro ganho de 0,12%, a 2.330,36 pontos.

Como se previa, o banco central chinês (PBoC) manteve suas taxas de juros de referência para empréstimos de curto e longo prazos, conhecidas como LPRs, pelo 13º mês seguido. A LPR de um ano permaneceu em 3,85% e a de cinco anos ficou em 4,65%.

O comportamento misto das bolsas asiáticas veio também após as bolsas de Nova York caírem pelo terceiro dia consecutivo na quarta-feira, 19, quando o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) sinalizou que pode começar a debater a redução de compras de ativos nas próximas reuniões de política monetária.

Na Oceania, a bolsa australiana se recuperou parcialmente das perdas da quarta-feira, com valorização em quase todos os setores. O S&P/ASX 200 avançou 1,27% em Sydney, a 7.019,60 pontos, após cair 1,90% no pregão anterior.

*Com informações de Reuters e Estadão Conteúdo