Pedidos de auxílio-desemprego nos EUA recuam e ficam abaixo de 500 mil

As solicitações permanecem bem acima da faixa de 200 mil a 250 mil considerada como consistente com um mercado de trabalho saudável

Lucia Mutikani, da Reuters
20 de maio de 2021 às 10:59 | Atualizado 20 de maio de 2021 às 12:40
Fila de pessoas em busca auxílio-desemprego nos EUA
Fila no Kentucky Career Center de pessoas em busca de assistência com o auxílio-desemprego em Kentucky, EUA. 18/6/2020
Foto: REUTERS/Bryan Woolston

O número de norte-americanos que entraram com novos pedidos de auxílio-desemprego caiu ainda mais abaixo de 500 mil na semana passada, sugerindo que o crescimento do emprego acelerou este mês, embora as empresas ainda estejam desesperadas por trabalhadores.

Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego totalizaram 444 mil em dado ajustado sazonalmente na semana encerrada em 15 de maio, contra 478 mil na semana anterior, informou o Departamento do Trabalho nesta quinta-feira (20). Foi a leitura mais baixa desde meados de março de 2020.

Economistas consultados pela Reuters projetavam 450 mil pedidos na última semana. As solicitações permanecem bem acima da faixa de 200 mil a 250 mil considerada como consistente com um mercado de trabalho saudável. Elas recuaram de um recorde de 6,149 milhões no início de abril de 2020.

Os pedidos devem diminuir ainda mais nas próximas semanas, depois que governadores republicanos em pelo menos 21 Estados anunciaram que irão se retirar no mês que vem dos programas de desemprego financiados pelo governo federal, incluindo o subsídio semanal de US$ 300, que empresas alegam estar incentivando os desempregados a ficarem em casa em vez de procurarem trabalho.

"Isso deve resultar em uma diminuição nas reclamações ao longo das próximas semanas, com um possível aumento na participação da força de trabalho até o relatório de criação de vagas de trabalho de junho, já que cerca de 16 milhões de pessoas ainda recebiam algum tipo de benefício até o final de abril", disse Veronica Clark, economista do Citigroup em Nova York.

De fábricas a restaurantes e bares, os empregadores estão lutando para encontrar funcionários, mesmo com quase 10 milhões de norte-americanos oficialmente desempregados. Os benefícios aumentados para desempregados pagam mais do que a maioria dos empregos de salário mínimo. O salário mínimo nos EUA varia de US$ 7,25 para até US$ 15 por hora.

Com mais de um terço da população vacinada, as restrições à indústria de serviços estão sendo suspensas, permitindo um reengajamento econômico mais amplo. A economia também vem sendo apoiada por quase US$ 6 trilhões de em ajuda na pandemia, fornecida pelo governo no ano passado.

A falta de creches, com a maioria das escolas oferecendo aula presencial parcial, bem como os temores persistentes da Covid-19 e de aposentadorias relacionadas à pandemia também estão contribuindo para a escassez de trabalhadores, o que restringiu as contratações em abril.

Os benefícios financiados pelo governo expiram no início de setembro, e as escolas devem retomar as aulas presenciais no outono do hemisfério norte, o que economistas esperam que aumentem a mão-de-obra.