Citi prevê processo "mais longo" de alta de juros em resposta à inflação

O novo cronograma inclui uma alta de 0,75 ponto percentual da Selic em junho seguido por três elevações de 0,50 ponto nas reuniões seguintes do Copom

Por José de Castro, da Reuters
25 de maio de 2021 às 17:59 | Atualizado 25 de maio de 2021 às 18:42
Citibank
Foto: Reuters/Bobby Yip

 O Citi elevou seus prognósticos para a taxa de juros nesta terça-feira (25) vendo um processo "mais longo" de normalização monetária conforme a expectativa de maior crescimento econômico também gera inflação mais alta.

O cenário agora é que o Banco Central pause o atual ciclo de alta de juros com a Selic em 5,75% --antes, a previsão era que a interrupção ocorresse com os juros em 5,00%.

O novo cronograma inclui uma alta de 0,75 ponto percentual da Selic em junho seguido por três elevações de 0,50 ponto nas reuniões seguintes do Copom.

"A atividade econômica mais resiliente, a pressão constante dos preços das commodities e os riscos crescentes de o alto nível da inflação de 2021 contaminar a dinâmica de preços de 2022" explicam a visão de uma Selic mais alta, disseram em relatório Leonardo Porto, Paulo Lopes e Thais Ortega.

Os profissionais revisaram ainda os números para o desempenho do PIB e a inflação. De acordo com eles, os impactos econômicos da segunda onda de Covid-19 têm sido "muito mais suaves" do que o esperado, e os dados melhores referentes ao primeiro trimestre justificaram o aumento da projeção do crescimento econômico em 2021 de 3,0% para 3,6%.

Para o período entre janeiro e março, a estimativa é que tenha havido expansão de 0,2% na margem, ante prognóstico anterior de contração de 0,4%. No segundo trimestre, o PIB deverá retrair 0,5%, queda considerada "transitória" pelos especialistas do Citi.

O banco elevou a projeção para o PIB de 2021, mas cortou a estimativa para 2022 --de 2,0% para 1,8%--, citando um hiato do produto menos negativo e menor estímulo monetário.

Mesmo com a economia em ritmo mais lento e juros maiores em 2022, ainda há riscos de alta para a inflação no ano que vem, avaliaram os profissionais, que por ora mantêm cálculo de que o IPCA subirá 3,5% no próximo ano --exatamente a meta de inflação.

"Olhando para o futuro, a principal preocupação é se a impressão de inflação mais alta em 2021 vai alimentar previsões de preços para 2022", disseram. Os riscos à inflação em 2022 incluem inércia e persistência adicional de pressões de energia e do atacado.

Para 2021, o Citi ajustou a estimativa para o IPCA de 4,9% para 5,3%, ligeiramente acima do teto da banda de tolerância da meta de inflação --de 5,25%.

O banco espera mais pressão dos preços das commodities e da eletricidade, com os reservatórios de água em níveis preocupantes.

O pico da inflação anual ocorrerá no próximo mês, com alta de 8,1%. "Vale ressaltar que as medidas de núcleo também estão subindo (atualmente em 3,7% em média), desafiando a interpretação do BCB de que a recente alta da inflação é temporária."