Pecuaristas argentinos estendem suspensão da venda de produto bovino até o dia 2

A extensão da medida foi anunciada em comunicado divulgado nesta sexta

Por Isadora Duarte, do Estadão Conteúdo
28 de maio de 2021 às 17:00 | Atualizado 28 de maio de 2021 às 17:04
Carne
Foto: Jez Timms via UnSplash

 A Comissão de Enlace das Entidades Agropecuárias da Argentina (Ceea), grupo que reúne as principais entidades agropecuárias da Argentina, estendeu a paralisação da comercialização de todos os produtos bovinos no país até a próxima quarta-feira (2) de junho.

A suspensão da venda tinha duração prevista até esta sexta-feira (28) como resposta dos produtores ao bloqueio pelo governo argentino das exportações de carne bovina do país por 30 dias, adotado em 17 de maio.

A extensão da medida foi anunciada em comunicado divulgado nesta sexta. Na nota, os ruralistas explicam que a medida é tomada em um contexto de "incompreensão".

Eles reafirmam que o bloqueio das exportações de carne bovina não irá refletir na queda dos preços internos do produto. "Mas sim, terá o efeito contrário ao pretendido.

Já mostramos com cifras concretas que, quando medida semelhante foi adotada no passado, os preços da carne no mercado interno subiram mais de 50% sobre a média do restante dos preços da economia", argumenta a Ceea.

Na avaliação da entidade, a suspensão das exportações por meio da tentativa de saturar em oferta os frigoríficos e açougues internos vai resultar em enormes prejuízos aos criadores. Os ruralistas também alegam que o produtor não é o formador de preços e que ele é o "elo mais fraco" da cadeia pecuária.

"Por este motivo, também repudiamos o fato de que alguns membros desta cadeia de carne bovina ofereçam o aumento das tarifas de exportação como parte da solução, sabendo que isso afetará diretamente o preço por nós recebido. Não é aumentando os impostos que os problemas serão resolvidos", diz a entidade.

Segundo a Ceea, em 2 de junho, os pecuaristas vão abrir uma janela na paralisação das vendas para cumprir contratos assumidos anteriormente.

"Em função dos movimentos necessários que envolvem a atividade pecuária e sobretudo porque não queremos causar nenhum prejuízo ao já castigado cidadão argentino pela renda corroída pela inflação, pela crescente preocupação com o trabalho e em meio à pandemia com atrasos injustificados na vacinação", diz a Ceea, no comunicado.