Ibovespa tomba 1,25% e dólar sobe para R$ 5,25 com CPI e exterior no radar

Em Brasília, a CPI da Pandemia subiu o tom e também preocupa os investidores

Matheus Prado, do CNN Brasil Business, em São Paulo
08 de julho de 2021 às 09:14 | Atualizado 08 de julho de 2021 às 17:40
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Foto: CNN

O dólar chegou a avançar mais de 1% ante o real nesta quinta-feira (8), mas fechou em alta de 0,29%, a R$ 5,255, depois da intervenção do Banco Central no mercado de câmbio. Já o Ibovespa recuou 1,27%, aos 125.427 pontos, com isso, o principal índice da bolsa nacional acumulou queda de cerca de 1,7% na semana.

Na sexta-feira, não haverá negociação na bolsa paulista em razão de feriado em São Paulo.

Internamente, o mercado tem preocupações políticas e econômicas. Em Brasília, a CPI da Pandemia subiu o tom na sessão de quarta-feira ao decretar a prisão do ex-servidor do Ministério da Saúde Roberto Dias, que acabou sendo liberado após pagamento de fiança. Nesta quinta, foi a vez de Francieli Fantinato, ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), ser ouvida.

Ainda no cenário doméstico, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, ficou em 0,53% em junho, abaixo da taxa de maio, que foi de 0,83%, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (8). 

Nos últimos 12 meses, o IPCA alcançou 8,35%, percentual bem acima do teto da meta de 5,25% previsto para este ano. No ano, o índice acumula alta de 3,77% e, em junho de 2020, a variação mensal havia sido de 0,26%.

Globalmente, o dia também começou com indicação de aversão a riscos. Isso porque a variante Delta do novo coronavírus tem avançado em vários países e fez com que o Japão, que vai receber a Olimpíada em 15 dias, declarasse estado de emergência.

Na Ásia, também preocupam uma crescente ofensiva de Pequim contra grandes empresas de tecnologia chinesas e a inesperada sinalização de relaxamento monetário pela China, que gera dúvidas sobre o ritmo de recuperação da segunda maior economia do mundo.

Lá fora

Os principais índices de Wall Street caíram com força, uma vez que a disseminação da variante Delta da Covid-19 joga dúvidas sobre a recuperação econômica, enquanto a perda das ações de tecnologia chinesas parecem ter contaminado os mercados.

O Dow Jones Industrial Average caiu 0,75%, para 34.421 pontos, enquanto o S&P 500 perdeu 0,86%, para 4.320 pontos. Por sua vez, o Nasdaq Composite recuou 0,72%, para 14.559 pontos.

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em baixa. O mercado em Hong Kong liderou as perdas, com queda de 2,89% do Hang Seng, a 27.153,13 pontos, menor nível neste ano. O Hang Seng vem acumulando perdas há oito pregões seguidos, principalmente no setor de tecnologia, à medida que Pequim intensificou a pressão regulatória sobre "big techs" chinesas.

Na China continental, o Xangai Composto recuou 0,79%, a 3.525,50 pontos, enquanto o menos abrangente Shenzhen Composto caiu 0,48%, a 2.435,21 pontos.

Em outras partes da Ásia, o japonês Nikkei se desvalorizou 0,88% em Tóquio hoje, a 28.118,03 pontos, e o sul-coreano Kospi cedeu 0,99% em Seul, a 3.252,68 pontos. Exceção, o Taiex registrou alta marginal de 0,09% em Taiwan, a 17.866,09 pontos.

Indicação de que a China poderá relaxar sua política monetária também gerou um alerta sobre fragilidades na economia do país que podem comprometer a recuperação da economia global, após os choques da pandemia de covid-19.

Ontem, o gabinete da China disse que autoridades usarão instrumentos de política monetária, inclusive cortes de compulsórios, para sustentar a economia real, principalmente pequenas e médias empresas.

Na Oceania, a bolsa australiana conseguiu evitar o viés negativo da região asiática, e o S&P/ASX 200 avançou 0,20% em Sydney, a 7.341,40 pontos.

*Com informações da Reuters e do Estadão Conteúdo