Dólar recua 1,9% após fala de Powell, do Fed; Ibovespa sobe

Ganhos da Bolsa foram limitados por fala de Guedes, que pretende reduzir o imposto sobre a importação de aço

Matheus Prado e Leonardo Guimarães, do CNN Brasil Business, em São Paulo*
14 de julho de 2021 às 09:14 | Atualizado 14 de julho de 2021 às 17:49
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Foto: CNN

O real e o mercado acionário brasileiro foram favorecidos nesta quarta-feira (14) por uma fala do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). Jerome Powell, afirmou que a política monetária norte-americana oferecerá "apoio poderoso" à economia "até que a recuperação esteja completa".

Com o alívio de temores sobre um aperto monetário mais cedo que o esperado, o dólar fechou em queda de 1,87%, para R$ 5,0855. 

Na B3, o Ibovespa fechou em alta de 0,19%, para 128.406 pontos. Os ganhos, porém, foram limitados por um comentário do ministro da Economia, Paulo Guedes, que disse que pretende reduzir o imposto sobre a importação de aço. 

As ações da CSN (CSNA3) caíram 3,98%, enquanto Usiminas (USIM5) recuou 3,46% e Metalúrgica Gerdau (GOAU4) teve desvalorização de 1,61%. 

A pauta também contou com a CPI da Pandemia, a reforma tributária e o IBC-Br, considerado a prévia do PIB.

O índice apresentou queda de 0,43% em maio na comparação com o mês anterior, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (14) pelo Banco Central. Na comparação com maio de 2020, o IBC-Br registrou avanço de 14,21% e, no acumulado em 12 meses, teve alta de 1,07%, segundo números observados. No ano, o índice acumula alta de 6,6%.

Mesmo assim, a equipe econômica do governo federal melhorou a projeção para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021. A expectativa de crescimento econômico passou de 3,5, prevista em maio deste ano, para 5,3%

Globalmente, o assunto voltou a ser a inflação. Nesta quarta, o presidente do Fed, Jerome Powell, falou sobre o tema. Ele afirma que o mercado de trabalho dos Estado Unidos "ainda está longe" do progresso que o Federal Reserve deseja ver antes de reduzir seu apoio à economia, enquanto a alta inflação atual diminuirá "nos próximos meses", disse o chair do Fed, Jerome Powell, em declarações preparadas para audiência no Congresso.

"A inflação aumentou notavelmente e provavelmente permanecerá elevada nos próximos meses antes de se moderar", disse Powell, reafirmando a fé do banco central dos EUA de que os atuais aumentos de preços, apesar das preocupações que estão levantando sobre a inflação desancorada, estão ligados à reabertura da economia e serão passageiros.

Enquanto isso, "ainda há um longo caminho a percorrer" para reparar um mercado de trabalho que está 7,5 milhões de empregos longe de seu nível pré-pandemia, com o peso recaindo mais sobre os trabalhadores com salários mais baixos e os principais grupos étnicos e minoritários, e a taxa de participação geral ainda deprimida, disse Powell.

Lá fora

O índice S&P 500 terminou a volátil sessão desta quarta-feira com ganho, após ter atingido brevemente um recorde intradia, à medida que investidores contrabalançaram preocupações com a inflação e comentários tranquilizadores do chair do Federal Reserve, Jerome Powell.

O Dow Jones fechou em alta de 0,13%, a 34.933 pontos, enquanto o S&P 500 subiu 0,12%, a 4.374 pontos. Já o Nasdaq Composite recuou 0,22%, a 14.644 pontos.

As bolsas asiáticas fecharam em baixa seguindo o comportamento de Wall Street, após um novo salto da inflação ao consumidor (CPI) nos EUA reavivar temores sobre aperto monetário.

O índice acionário japonês Nikkei caiu 0,38% em Tóquio hoje, a 28.608,49 pontos, enquanto o Hang Seng recuou 0,63% em Hong Kong, a 27.787,46 pontos, o sul-coreano Kospi se desvalorizou 0,20% em Seul, a 3.264,81 pontos, e o Taiex ficou praticamente estável em Taiwan, com perda marginal de 0,01%, a 17.845,75 pontos.

Na China continental, o Xangai Composto teve queda de 1,07%, a 3.528,50 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto cedeu 0,88%, a 2.470,07 pontos.

Os números do CPI americano de junho vieram bem acima do esperado, causando perdas nas bolsas de Nova York ontem e impulsionando apostas de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) poderá anunciar seu primeiro aumento de juros já em 2022.

Na Oceania, a bolsa australiana ignorou o tom negativo de Wall Street e da Ásia e ficou no azul, com ganhos em quase todos os setores. O S&P/ASX 200 avançou 0,31% em Sydney, a 7.354,70 pontos.

No fim da noite de hoje, a China divulga números do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, assim como de produção industrial e vendas no varejo de junho. 

*Com informações de Reuters e Estadão Conteúdo