Bank of America: Analistas veem risco crescente de La Niña neste semestre

Fenômeno meteorológico deve afetar principalmente companhias de proteínas

Paula Arend Laier, da Reuters
19 de julho de 2021 às 14:56
Logo do Bank of America (BofA) em Nova York (30/01/2019)
Bank of America: Treasuries (títulos do Tesouro americano) foram as negociações 'mais movimentadas' pelo 2º mês
Foto: Carlo Allegri/Reuters

Analistas do Bank of America veem um risco crescente de La Niña neste segundo semestre, o que deve afetar principalmente companhias de proteínas por causa dos potenciais reflexos do fenômeno meteorológico nos preços dos grãos.

"As probabilidades aumentam a cada mês e o cenário base já indica mais de 80% de chance de o fenômeno ocorrer", afirmaram em relatório a clientes nesta segunda-feira.

Eles observaram que o La Niña anterior, em 2020, atrasou as chuvas, retardando a safra e causando queda em sua produtividade, principalmente no caso do milho.

"Nós vemos as empresas de proteína sendo as mais afetadas pela redução potencial da safra brasileira de soja e milho, pois isso pode significar custos de grãos ainda mais altos", afirmaram no documento.

No caso de players dos EUA, a equipe do BofA avalia que eles podem ser afetados também em razão do ambiente de consumo potencialmente menos favorável.

Os analistas reiteraram compra para JBS, enquanto adotam uma visão neutra para BRF, Marfrig e Minerva. Em paralelo, recomendam compra de SLC Agricola e Adecoagro.

Entre os papéis sob sua cobertura, BRF é considerado o player mais exposto.

"Empresas agrícolas como SLC e Adecoagro podem se beneficiar dos preços fortes, mas os rendimentos podem permanecer sob pressão. No lado das proteínas, a BRF é a mais exposta, visto que quase toda a sua produção é integrada e ocorre no Brasil."