À CNN, Guedes se defende sobre offshore e antecipa pacote verde de US$ 2,5 bi

Ministro afirmou que pacote será focado em infraestrutura sustentável e, sobre o Pandora Papers, alega que sua empresa segue todas a regras da Receita e Banco Central

Giovanna Galvanida CNN

em São Paulo

audima

Em entrevista à CNN Internacional nesta terça-feira (12), o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o Brasil criará um pacote de US$ 2,5 bilhões em infraestrutura verde a ser anunciado na COP26, em Glasgow, no começo de novembro.

Segundo o ministro, o Brasil está “envolvido” nas conversas relacionadas à próxima Conferência do Clima, que engloba as mudanças climáticas e uma transição energética verde. O pacote deverá focar em investimentos nos setores de infraestrutura sustentável e digital.

“Será um pacote de 2,5 bilhões de dólares. Sabemos que o futuro é verde e digital, e nós estaremos lá. O Brasil é uma potência verde e o quarto maior mercado digital do mundo”, disse o ministro.

O ministro também foi questionado pela apresentadora Julia Chatterley, do programa “First Move”, sobre as revelações da investigação chamada de “Pandora Papers”, que citou uma empresa com participação de Guedes localizada em um paraíso fiscal.

Guedes respondeu dizendo que “não fez nada de errado” e que sua offshore é “legal, reportada ao Comitê de Ética da Presidência, declarada na Receita Federal e registrada no Banco Central”. “Eu saí do comando da empresa semanas antes de assumir o ministério. E além disso, na semana passada, a Suprema Corte brasileira arquivou o caso”, afirmou.

O ministro também rebateu um comentário de Chatterley em relação à estratégia do governo federal em querer manter a economia aberta. A jornalista destacou que o Brasil já ultrapassou 600 mil mortes por Covid-19.

“Nós gastamos mais que o dobro do que a média dos países emergentes e 10% mais do que os países ricos salvando vidas. Não aceito sua narrativa. Nós gastamos mais dinheiro salvando vidas do que vocês”, disse Guedes.

Para o ministro, afirmações sobre a suposta “escolha” do governo compõem um “barulho político”. O ministro afirmou que o Brasil escolheu transferir renda e, depois, garantir a vacinação em massa para a população.

“Nós praticamos o distanciamento. Por isso, o PIB caiu 4,1%. Por isso que o desemprego subiu, mas o que houve é que nós temos vacinação em massa, e a economia está crescendo”, disse. “Nossa escolha foi manter vidas em primeiro lugar. Por isso, gastamos 110% do PIB em transferência de renda para pessoas pobres, para que elas praticassem o distanciamento social”, complementou.

Guedes também destacou que é intenção do governo sustentar programas de proteção social ao comentar sobre a inflação, que atinge principalmente os preços dos alimentos e da energia no país.

“A inflação está [aumentando] no mundo todo. Metade da inflação é por comida e energia, é por isso que nós vamos manter a proteção social. Vamos aumentar a transferência social para pagar pelos preços da comida e da energia. E é o que está acontecendo no mundo todo”, declarou.

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