A conta para salvar a economia global está em US$ 7 trilhões, por enquanto

Governos e bancos centrais de Estados Unidos, Europa, Japão, China e Índia encabeçam medidas de estímulos contra os efeitos do coronavírus

Homem atravessa 5ª Avenida, uma das mais movimentadas de Nova York, completamente vazia (25.mar.2020)
Homem atravessa 5ª Avenida, uma das mais movimentadas de Nova York, completamente vazia (25.mar.2020) Foto: Mike Segar/Reuters

Julia Horowitz

Do CNN Business, em Londres

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Estados Unidos, Europa, Japão, China e Índia estão gastando trilhões dólares em dinheiro “recém-criado” enquanto tentam, desesperadamente, evitar que a economia global entre em depressão. 

A resposta à pandemia do coronavírus é algo sem precedentes em relação à velocidade e ao volume de investimentos. Promessas feitas por governos e bancos centrais até a data se aproximam da marca de US$ 7 trilhões, segundo aponta análise do CNN Business. O total inclui gastos governamentais, garantias de empréstimo e isenção/redução de impostos, além da impressão de dinheiro por parte dos BCs para compra de ativos como fundos de títulos e de ações.

Este total inclui o pacote de estímulos americano, no valor de US$ 2 trilhões, que foi aprovado pelo Senado na última quinta-feira (26), e um conjunto de medidas avaliadas em ¥ 30 trilhões, ou US$ 274 bilhões, que podem ser aprovadas em abril no Japão. Da Europa, o CNN Business reuniu os gastos das maiores economias locais: Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Espanha. 

Os valores já superam os esforços governamentais feitos durante a crise de 2008, que por sua vez já tinham aniquilado os recordes anteriores. De todo modo, economistas temem que nem este trabalho hercúleo realizado até aqui será suficiente se a crise se estender para além de junho.   

“O pacote de estímulos (de US$ 2 tri) é provavelmente o mínimo necessário para compensar o arrasto econômico gerado pelo surto”, disse o economista do Bank of America, Joseph Song, a clientes na quinta-feira. “A economia vai precisar de um valor próximo a US$ 3 trilhões em estímulos fiscais, se não mais.”

A última vez que a economia global esteve em níveis tão altos de depressão durante tempos de paz foi em 1938, de acordo com Chetan Ahya, economista-chefe da Morgan Stanley.

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Líderes do G20, que representa as maiores economias do mundo, disseram na quinta que estão prontos para fazer “o que for preciso” para minimizar o dano econômico causado pela pandemia e restabelecer o crescimento global.

“A magnitude e o foco dessa resposta vão colocar a economia global de pé outra vez e criar uma base forte para proteção de postos de trabalho e a recuperação do crescimento”, disseram os líderes em um pronunciamento conjunto após videoconferência. Eles dizem que os países se comprometeram a entregar estímulos no valor de US$ 5 trilhões.

Ainda assim, o amplo gasto pode apenas cegar parte da dor econômica. Enquanto benefícios de seguro-desemprego e renda mínima devem prover uma ajuda muito necessária, a economia não vai começar a se recuperar enquanto bares e restaurantes não reabrirem e as pessoas voltarem às suas rotinas de trabalho e viagem. E, de qualquer forma, vai levar tempo, como a China está descobrindo agora.

“Não vai ser possível voltar para o mesmo nível de atividade e resultado imediatamente”, Ahya diz, apontando os efeitos prolongados de um grande pico de desemprego e de balanços corporativos destroçados. 

Abaixo, algumas das maiores iniciativas de governos e bancos centrais até aqui.

Estados Unidos

O Senado americano americano aprovou um pacote de estímulos de US$ 2 trilhões. A lei inclui pagamentos diretos a pessoas, uma melhora nos benefícios de seguro-desemprego e um programa de US$ 500 bilhões voltado para empréstimos.

Legisladores já haviam aprovado mais de US$ 112 bilhões para impulsionar pesquisas de vacinas e conceder duas semanas de baixa médica paga a quem estiver sendo testado ou tratado para COVID-19.

O Fed também soltou “um tsunami” de estímulos nos últimos dias. Isso inclui um comprometimento inicial de comprar US$ 700 bilhões em títulos do Tesouro americano e outros garantidos em hipotecas, que agora deixou de ter limite de investimento e pode incluir papéis de empresas e fundos de índice (ETFs). O BC americano anunciou ainda US$ 300 bilhões em novos financiamentos para manter crédito fluindo para negócios e consumidores. 

Reino Unido

O governo britânico liberou £330 bilhões (US$ 397 bilhões) em garantias de empréstimos e suspendeu, para negócios locais, impostos nas áreas de varejo, hotelaria e lazer durante os próximos 12 meses. Além disso, o Estado vai cobrir 80% dos salários de trabalhadores por pelo menos três meses, pagando até £ 2.500 (US$ 2.900) por mês. O preço desta iniciativa ainda é incerto.

Na quinta-feira (26), o governo prometeu ainda conceder aos autônomos 80% da sua média mensal de vencimentos, alcançando valores de até £ 2.500 (US$ 3.000) por mês no próximo trimestre.

O Banco da Inglaterra disse que utilizará £ 200 bilhões (US$ 242 bilhões) para comprar títulos do governo e de empresas.

União Europeia

A Alemanha anunciou um pacote de resgate no valor de € 750 bilhões (US$ 825 bilhões) que inclui medidas de empréstimo para negócios e compra de participação em empresas.

Já na França, foi aprovado um socorro de € 45 bilhões (US$ 50 bilhões) para pequenos negócios e trabalhadores desempregados. O Estado também garantiu € 300 bilhões (US$ 330 bilhões) para empréstimos a grandes empresas.

A Itália deu luz verde a um estímulo de € 25 bilhões (US$ 27.5 bilhões) para ajudar trabalhadores e fortalecer o sistema de saúde do país, enquanto a Espanha deve desembolsar € 200 bilhões (US$220 bilhões).

O Banco Central Europeu confirmou que irá gastar € 750 bilhões (US$ 824 bilhões) comprando papéis de dívida dos governos e seguradoras privadas até o fim de 2020 e se diz preparado para fazer mais caso necessário. A casa já havia anunciado € 120 bilhões (US$ 133 bilhões) em compras de títulos.

China

Até agora, a China já comunicou pelo menos CN¥ 116,9 bilhões (US$ 16,4 bilhões) em alívios financeiros e estímulos, mais CN¥ 800 bilhões (US$ 112,5 bilhões) em reduções de impostos e taxas. Se necessário, o país pode muito bem gastar trilhões de dólares e absorver grandes quantidades de dívidas para fortalecer sua economia.

O Banco Popular da China adotou várias medidas de facilitação de crédito, alocando ao menos CN¥ 1,15 trilhões (US$162 bilhões) para ajudar companhias atingidas pelo vírus.

Japão

Espera-se que o governo japonês considere um pacote de estímulos nas próximas semanas que deve incluir alguma forma de concessão de dinheiro para a população e medidas para ajudar pequenas e médias empresas a conseguir empréstimos. O esforço pode chegar a ¥ 30 trilhões (US$ 274,2 bilhões).  

O Banco do Japão se comprometeu a aumentar a sua cota anual de compras de ETFs em ¥ 6 trilhões (US$ 55 bilhões) e a de fundos de investimento imobiliário em ¥ 90 bilhões (US$ 822 milhões). Também levantou o limite de compras de papéis comerciais e títulos privados em ¥ 2 trilhões (US$ 18 bilhões). 

Índia

O governo indiano foi rápido e anunciou um pacote de US$ 22,6 bilhões apenas 36 horas após o fechamento de fronteiras ser imposto por lá. A ajuda inclui assistência de saúde e alimentícia, além de subsídios e benefícios para trabalhadores.

 

 

 

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