A Gol mostra que a turbulência passou e ações devem subir – mas não tanto

Ações da empresa caíram quase 60% no ano e podem ter uma recuperação de 26%, segundo os bancos, porém o Bradesco revisou para baixo o preço-alvo

Logo do companhia aérea Gol: empresa ainda amarga uma queda de quase 60% no valor de suas ações
Logo do companhia aérea Gol: empresa ainda amarga uma queda de quase 60% no valor de suas ações Foto: Paulo Whitaker/Reuters

André Jankavski,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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A companhia aérea Gol (GOLL4) apresentou resultados até que positivos no terceiro trimestre. Na visão de analistas, a turbulência causada principalmente pela pandemia do novo coronavírus ficou para trás. Porém, falar que a empresa entrou em céu de brigadeiro é um pouco demais.

A companhia teve prejuízo de R$ 872 milhões no terceiro trimestre, mas em contrapartida elevou em 100% a oferta de capacidade para o quarto trimestre, exatamente na época de viagens de fim de ano. Já que a demanda de passageiros corporativos deve seguir baixa com a pandemia, é nas famílias que o setor deve se focar nos próximos meses.

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Segundo o Bradesco BBI, a demanda de passageiros visitando familiares e amigos foi a responsável pela recuperação, mesmo que não tão vigorosa, da emissão de passagens a partir do segundo trimestre.

A volta dos passageiros corporativos, por sua vez, deve começar a dar as caras somente a partir de abril de 2021 – e foi essa a impressão compartilhada pelos executivos da Gol na conferência com analistas, de acordo com o banco.

Mas um fator que ainda preocupa os analistas são os custos da empresa. O Banco do Brasil enxerga que a empresa tem capacidade de gerenciar os pagamentos com geração de caixa operacional, antecipação d recebíveis e rolagem dos cronogramas atuais.

Porém, o buraco pode ser grande: a empresa precisará amortizar a dívida em R$ 1,2 bilhão no quatro trimestre e em R$ 1 bilhão entre janeiro e março do ano que vem.

“Em nossa avaliação, a performance operacional e financeira da Gol no enfrentamento da maior crise do setor aéreo mundial é positiva, e o pior já ficou para trás”, escreveu o analista Renato Hallgreen, do Banco do Brasil. “Nos próximos trimestres, a tônica para a Gol deverá ser com relação ao cronograma de vencimentos de sua dívida financeira.”

Com isso, o Banco do Brasil manteve o preço-alvo da ação da Gol em R$ 20. Seria uma valorização de 26% em relação ao preço do fechamento do pregão desta quarta-feira (4). Trata-se do mesmo preço alvo apresentado pelo Bradesco.

Detalhe: o banco sediado em Osasco diminuiu o valor alvo fixado outrora, de R$ 26. A recomendação, contudo, segue de compra.

“A Gol tem uma posição sólida para passar por cima da crise da Covid-19 e tem uma alta exposição à demanda doméstica, que deve se recuperar primeiro”, dizem os analistas Victor Mizusaki e Gabriel Rezende, do Bradesco.

No ano, as ações da empresa despencaram quase 60%.

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